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The Strokes criticam intervenção internacional dos EUA e o conflito no Médio Oriente em atuação no Coachella

Durante a atuação, Julian Casablancas disse ainda que estava “tentado em aparecer com um portátil e mostrar alguns daqueles vídeos Lego sobre o Irão”, referindo-se aos vídeos gerados por Inteligência Artificial, criados por grupos pró-Irão.

Gabriela Ângelo 20 de abril de 2026 às 15:37
The Strokes atuam no primeiro fim de semana do Coachella, na Califórnia AP

A banda norte-americana The Strokes criticaram o historial de intervenção norte-americana em governos estrangeiros e o conflito no Médio Oriente, nomeadamente no Irão e em Gaza, durante a sua atuação no Coachella. 

No final da atuação, no segundo fim de semana do festival que tem lugar na Califórnia, a banda tocou a música “Oblivius” de 2016, enquanto nos ecrãs gigantes passava uma montagem de líderes mundiais cuja morte ou destituição está associada à CIA, os serviços de inteligência norte-americanos. À medida que a montagem passava, Julian Casablancas, o vocalista, cantava a letra: “De que lado estás? De que lado estás? Nós retiramos o que queremos deles e depois dizemos ‘O que é que querem de mim’?”


A montagem mostrou Patrice Lumumba, o primeiro-ministro eleito democraticamente no Congo, morto em 1961 por um pelotão congolês apoiado pelo governo belga. Segundo o jornal britânico , especula-se que a sua morte tenha tido intervenção da CIA devido à ameaça que representava ao controlo ocidental sobre os recursos minerais do Congo. Embora tenha sido a Bélgica a assumir “responsabilidade moral” e a pedir desculpa pelo seu assassinato. em 2002. 

Foi também transmitida uma imagem do presidente da Guatemala Jacobo Árbenz que foi destituído pela CIA em 1954, do presidente da Bolívia Juan José Torres que foi deposto em 1971, raptado e assassinado cinco anos depois. Também foi exibido o presidente chileno Salvador Allende que se suicidou durante o golpe de Estado de 1973, apoiado pela CIA, que derrubou o seu governo socialista e levou a que o ditador militar Augusto Pinochet subisse ao poder. 

Outros líderes mostrados na montagem incluem o primeiro-ministro do Irão eleito democraticamente, Mohammad Mosaddegh, cuja deposição do poder em 1953 esteve ligada à CIA, segundo documentos americanos desclassificados em 2013. Passou a imagem do líder militar do Panamá, Omar Torrijos, e do presidente equatoriano Jaime Roldós Aguilera, ambos mortos em acidentes de avião em 1981, atribuídos a erro do piloto. 

A atuação terminou com imagens de 30 universidades no Irão que foram destruídas por ataques aéreos norte-americanos e israelitas desde o início do conflito este ano, seguido de imagens da demolição da Universidade Al-Israa em Gaza. Esta que era a última universidade ainda em funcionamento no enclave antes de ser atacada por forças israelitas em 2024. 

Durante a atuação, Casablancas disse que estava “tentado em aparecer com um portátil e mostrar alguns daqueles vídeos Lego sobre o Irão”, referindo-se aos vídeos gerados por Inteligência Artificial (IA), criados por grupos pró-Irão.

Os The Strokes são os mais recentes artistas a denunciar o conflito no Médio Oriente. A semana passada, no mesmo festival, a cantora Gigi Perez pediu uma "Palestina Livre" enquanto o grupo irlândes de hip-hop Kneecap mostrou na sua atuação do ano passado mensagens a denunciar o "genocídio contra o povo palestiniano". "Isto está a ser facilitado pelo governo dos EUA, que arma e financia Israel apesar dos seus crimes de guerra". 

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