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Pedro Mexia regressa aos diários: cenas da vida íntima (mas não privada)

O poeta e comentador voltou ao género que o catapultou para o sucesso na era dos blogues: os diários (que não são bem diários). Está mais velho, cinzento e descrente.

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Nascido em Lisboa, Pedro Mexia é hoje um dos mais reconhecíveis intelectuais portugueses
Nascido em Lisboa, Pedro Mexia é hoje um dos mais reconhecíveis intelectuais portugueses Alexandre Azevedo / Sábado

Aos 50 anos há quem corra uma maratona, quem case, quem forme uma banda. Pedro Mexia publicou um livro de poemas intitulado Cinquenta Cinquenta. A memória continua a ser o centro gravitacional do seu corpo poético, mas com a mais que meia idade veio também o peso do envelhecimento, das ilusões perdidas e das mortes. Na escrita diarística, arte que começou a cultivar na longínqua era dos blogues, existe um mundo de reflexões, apontamentos, confissões, críticas e auto-avaliações que parece não ter cabimento na sua atividade poética ou crítica. Zero, editado pela Tinta-da-China, é o mais recente tomo de diários, dez anos depois de Malparado e mostra um autor mais agastado, menos esperançoso. 

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