Kanye West decidiu adiar o seu concerto em França depois de notícias terem dado conta de que o ministro do Interior francês estaria a tentar impedir o rapper de avançar com o espetáculo. Em causa estão declarações antissemitas proferidas pelo americano que levaram também ao cancelamento do seu concerto em Londres, decorrente do impedimento de entrar naquele país.
"Após muita reflexão e consideração decidi, por minha conta e risco, adiar o meu espetáculo em Marselha, França, até novo aviso”, escreveu o rapper, conhecido legalmente como Ye, na rede social X.
Fonte próxima do ministro do Interior, Laurent Nuñez, já havia avançado na terça-feira à agência France-Presse que o governante estava "altamente determinado" em proibir o concerto, que estava previsto ocorrer a 11 de junho no estádio Velódrome de Marselha.
Nos últimos anos, o cantor de 48 anos tem sido alvo de duras críticas devido aos comentários antissemitas, racistas e pró-nazis, além da sua admiração por Adolf Hitler. Kanye West já lamentou, contudo, as declarações. "Não sou nazi nem antissemita. Amo o povo judeu", escreveu numa declaração publicada no Wall Street Journal, em janeiro, ao acrescentar que, devido ao seu transtorno bipolar, perdeu "o contacto com a realidade".
Mais recentemente, afirmou que estava pronto para "reparar o erro" justificando o amor pelos fãs. "Sei que leva tempo para entender a sinceridade do meu compromisso de reparar o erro. Assumo total responsabilidade pelo que é meu, mas não quero envolver meus fãs nisso. Os meus fãs são tudo para mim. Estou ansioso pelos próximos shows", escreveu na rede social X.
Apesar de o cantor ter lamentado tais declarações, o Reino Unido não deu o braço a torcer e decidiu impedi-lo de entrar no país - levando assim o festival Wireless a cancelar o evento previsto para julho. Na altura, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, classificou a contratação de Kanye West como "profundamente preocupante".
Esta quarta-feira o site oficial de Kanye West ainda listava os espetáculos que o artista tinha agendado em vários países europeus ao longo de maio, junho e junho, e nos quais estão incluídos Portugal, Espanha, Itália e Países Baixos. O ministro holandês para os assuntos de asilo e imigração, Bart van den Brink, disse na semana passada que não havia planos para proibir a entrada do cantor no país.
Em Portugal, podendo o histórico de declarações de Kanye West constituir uma ameaça, a entrada em território português poderia ser-lhe negada, segundo o artigo 32º da lei nº.23/2007 de 4 de julho. O Ministério da Administração Interna ainda não comentou o sucedido mas, em declarações ao Observador, o CEO da Guest, Josué Pires, recusou cancelar o concerto.
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