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História de amor de Salvador Sobral e Jenna Thiam deu filme que deve estrear em 2027

O filme é arriscado, diz Salvador Sobral: "Ou rompe todos os limites, e é a coisa mais inovadora de sempre, ou é muito constrangedor e vai parar ao 'Extremamente Desagradável'."

Lusa 16 de outubro de 2026 às 17:26
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O cantor Salvador Sobral fotografado há dias pela SÁBADO, durante uma entrevista a propósito do novo álbum do músico, "A Flor do Recomeço"
O cantor Salvador Sobral fotografado há dias pela SÁBADO, durante uma entrevista a propósito do novo álbum do músico, "A Flor do Recomeço" Mariline Alves/Medialivre

O cantor Salvador Sobral e a atriz Jenna Thiam protagonizam uma espécie de documentário musical que se deverá estrear no próximo ano, no qual partilham como a sua história de amor nasceu, enquanto à volta "tudo ruía".

O desafio para Salvador Sobral e Jenna Thiam passarem a história do início da relação para o grande ecrã partiu de dois amigos brasileiros, Gustavo Scofano e João Cândido Zacharias, realizadores de cinema, com quem o cantor e atriz conviviam bastante quando viviam em Lisboa.

"Um dia perguntaram-nos como nos tínhamos conhecido. Então explicámos a história toda. Foi uma maneira muito bonita, numa casa de fados, e depois de repente entra o ano 2017. Ao mesmo tempo em que vou para a Eurovisão, a minha saúde piora muito e [de regresso a Lisboa] vou viver para o hospital logo a seguir", recordou Salvador Sobral, em entrevista à Lusa.

Em setembro de 2017, meses depois de ter vencido a Eurovisão, Salvador Sobral anunciou que iria fazer uma pausa na carreira, por motivos de saúde, tendo ainda nesse ano sido submetido a um transplante cardíaco.

Aquele que foi o primeiro ano de namoro do cantor e da atriz, "supostamente de lua-de-mel, é um ano em que muitas coisas acontecem". Quando decidem viver juntos, Jenna muda-se para a casa de Salvador, em Lisboa, enquanto está internado no hospital onde foi submetido ao transplante.

"Eles acharam a história fascinante, porque aconteceram também muitos episódios curiosos e muito insólitos, e decidiram que tinham de fazer um filme sobre esse ano, por ser o ano em que o nosso amor brotou, ao mesmo tempo que tudo ruía à nossa volta", partilhou.

Na altura, Salvador Sobral disse que sim, porque estava convencido que os amigos nunca conseguiriam reunir o financiamento para o fazerem.

"Cinco anos depois conseguiram o [apoio do] ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual] e dinheiro privado também. Uma vez que consegues o dinheiro, és obrigado a fazer", disse.

Embora o cantor não quisesse muito avançar com o filme, porque não gosta de falar todo o tempo de si, ficou decidido que iriam fazer "uma coisa diferente", uma espécie de musical como o francês "É Sempre a Mesma Cantiga", de Alain Resnais.

"São musicais, mas muito satíricos. Em Portugal eu nunca vi um musical assim, que é uma coisa muito satírica. Não sei se nós aqui já alguma vez fizemos, e se o público vai perceber", explicou.

O filme, ainda sem título definitivo, foi rodado num teatro, o Cine-Teatro da Encarnação, em Lisboa, "percebendo-se que é um teatro".

"Há o rompimento da quarta parede, mas ao mesmo tempo recriamos cenas que vivemos num hospital ou na Tasca do Chico [espaço no Bairro alto onde se canta fado vadio]. Então parece ao mesmo tempo um filme muito vanguardista",referiu.

Salvador Sobral acredita que o filme tanto pode ir parar ao Festival de Cinema de Cannes como ao programa de rádio da humorista Joana Marques, "Extremamente Desagradável".

"Ou é um filme que rompe todos os limites, e que é a coisa mais inovadora de sempre, ou é muito constrangedor e vai parar ao 'Extremamente Desagradável'", disse.

Salvador Sobral classifica a música do filme como "bastante curiosa".

"Nós cantamos uma receita de um arroz de pato", revelou, explicando que quando estava internado uma enfermeira, que entra no filme, cozinhou o prato e levou-o para o hospital.

A enfermeira Virgília montou uma mesa, com uma toalha bonita e velas, para Salvador Sobral e Jenna Thiam poderem "viver um bocadinho uma normalidade, mínima que fosse".

O momento é recriado no filme e é aí que a enfermeira e o casal cantam uma receita de arroz de pato. "É literalmente a receita dela cantada", referiu.

Por isso, Salvador Sobral não sabe ainda se o filme poderá dar origem a um novo álbum.

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