Dia D: Sob Pressão chega esta quinta-feira aos cinemais portuguesas.
O novo filme Dia D: Sob Pressão, que se estreia na quinta-feira nos cinemas portuguesas, conta a história de como previsões certeiras do meteorologista escocês James Stagg permitiram às forças aliadas o desembarque vitorioso na Normandia, em 1944.
"Ele é algo desconhecido", disse à Lusa o ator Andrew Scott, que interpreta o meteorologista no novo filme de Anthony Maras. "Ele era bastante pragmático e incrivelmente apaixonado pelo seu trabalho, que era estudar o clima e como este afeta o mundo", sublinhou o ator, numa entrevista em Los Angeles a propósito da estreia.
"Era um homem extremamente íntegro, que falou a verdade ao poder e simplesmente se recusou a dar a previsão meteorológica que toda a gente queria e precisava", apontou.
Stagg foi escolhido a dedo pelo general Dwight D. Eisenhower, comandante supremo a quem cabia a decisão final sobre a invasão da Normandia, uma investida com o nome de código "Operação Overlord" que foi decisiva para a derrota do ditador Adolf Hitler na II Guerra Mundial.
O desembarque de mais de 150 mil soldados estava marcado para 05 de junho de 1944 e os aliados queriam ter a certeza de que as condições atmosféricas eram propícias, porque o ataque seria por ar e por mar.
Mas Stagg não deu ao comandante a resposta que ele queria. "Disse não, não podemos fazer isso porque temos de ser humildes perante o clima e temos de perceber como a previsão do estado do tempo funciona", salientou Andrew Scott.
Esta era uma altura em que não havia previsões meteorológicas por satélite, radar ou modelos de computador e o trabalho dependia de observações manuais, contexto histórico, mapas desenhados à mão e algum instinto.
Por isso, disse o ator, "é psicológica e emocionalmente muito interessante manter a integridade quando se está sob uma enorme pressão".
Stagg bateu de frente com o meteorologista norte-americano Irving P. Krick, interpretado por Chris Messina no filme, e fez de tudo para persuadir Eisenhower, que é encarnado pelo ator oscarizado Brendan Fraser.
"O admirável em Eiseinhower foi que, embora ele tivesse a decisão final de quando o Dia D ia acontecer, teve de aprender a ouvir e a pedir a opinião de diferentes membros da sua equipa", apontou Andrew Scott. "Ambos tinham um enorme sentido de dever para com os jovens soldados que iam arriscar as suas vidas pelo mundo", continuou.
Scott disse que Brendan Fraser foi "muito intimidante" em certos momentos e "muito afável" quando isso lhe era pedido.
O ator procurou espelhar na sua interpretação a enorme fasquia da previsão de Stagg. "A pressão, por natureza, é não libertar nenhuma tensão, mantê-la suprimida, e por isso senti que o personagem não devia ser reprimido mas certamente contido", disse Scott.
"É importante compreendermos que ele podia estar a sentir coisas, mas não as expressava. E penso que todos já estivemos em situações desse tipo, e que ele estava tão intimidado quanto era intimidante".
Baseado numa peça escrita pelo dramaturgo inglês David Haig, que também é coautor do argumento com o realizador Anthony Maras, Dia D: Sob Pressão conta ainda no elenco com Kerry Condon (Kay Summersby) e Damian Lewis (Bernard Montgomery).