A organização voltou atrás na sua decisão de regressar ao concurso após a oposição de várias estações públicas e protestos de centenas de funcionários contra a presença de Israel.
Os Países Baixos também não vão participar na edição de 2027 da Eurovisão, devido à presença de Israel na competição, anunciou esta terça-feira a emissora pública holandesa NPO, que se viu forçada a rever a sua posição.
A organização voltou atrás na sua decisão de regressar ao concurso após a oposição de várias estações públicas e protestos de centenas de funcionários contra a presença de Israel.
A NPO explicou que, depois de manter conversações com as várias estações públicas, "verificou que não há apoio suficiente" para apresentar uma candidatura holandesa, decidindo, por isso, suspender os preparativos para a próxima edição, prevista para maio, na Bulgária.
A decisão representa uma nova reviravolta numa polémica que teve início em agosto, quando a Avrotros --- emissora tradicionalmente responsável por representar os Países Baixos na Eurovisão --- anunciou que não participaria em 2027, devido à presença de Israel e à guerra em Gaza.
Um mês depois, a NPO decidiu assumir diretamente a organização da candidatura, o que desencadeou uma forte oposição no seio do sistema público de radiodifusão.
"Inicialmente, percebemos que havia apoio suficiente para o regresso. Infelizmente, não conseguimos encontrar uma fórmula adequada", reconheceu, hoje, a presidente do Conselho de Administração da NPO, Jet de Ranitz.
A responsável afirmou que as conversações com as diferentes estações mostraram que "ainda é muito cedo para regressar" ao festival, justificando a retirada pela divisão existente em torno do concurso.
"Dada a sensibilidade das questões que estão atualmente em causa, decidimos, para já, dar um passo atrás", acrescentou Jet de Ranitz.
Cerca de 400 trabalhadores de diferentes meios de comunicação públicos enviaram, em meados de outubro, uma carta à direção da NPO intitulada "Não é a minha Eurovisão", na qual exigiam a retirada da candidatura holandesa e denunciavam quer a presença de Israel, quer a forma como foi decidido o regresso ao concurso.
Os signatários afirmaram não poder aceitar "que o desejo de participar num programa de entretenimento pese mais do que as inúmeras vidas de pessoas que estão a ser assassinadas" e acusaram a administração de tomar uma decisão de grande impacto social sem consultar as estações e os seus funcionários.
O diretor de Media da NPO, Jurre Bosman, reconheceu agora que a participação de Israel provoca "diferentes reações na sociedade" holandesa e gera "debate e divisão", incluindo entre as estações de televisão e os seus colaboradores.
"Só queremos enviar para o festival um artista --- ou artistas --- e membros da equipa se puderem contar com o apoio total de uma ou mais emissoras", afirmou Bosman.
Os Países Baixos já se tinham ausentado da Eurovisão --- tal como a Espanha, a Irlanda, a Eslovénia e a Islândia --- devido à recusa da Avrotros em participar enquanto Israel se mantivesse no concurso, entre críticas internacionais à ofensiva militar israelita em Gaza e às suas consequências humanitárias.
Em agosto, a Avrotros reafirmou a sua rejeição do regresso em 2027, argumentando que o evento tinha perdido o seu caráter neutro e que as alterações introduzidas pela União Europeia de Radiodifusão (UER), organizadora do festival, não ofereciam garantias suficientes.
A NPO tentou delegar a organização do festival noutra estação pública, mas deparou-se com a recusa das estações e dos funcionários.
Por isso, informou hoje que decidiu parar os preparativos para o festival e apontou que vai manter o diálogo com a UER sobre o futuro do concurso. Embora os Países Baixos não enviem um representante, a emissora pública NOS transmitirá as duas semifinais e a final com comentários em holandês.