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Morreu o compositor e maestro Álvaro Salazar, fundador da Oficina Musical

A Oficina Musical anunciou que "a cerimónia de despedida" de Álvaro Salazar se realiza hoje, a partir das 15:00, no Tanatório de Matosinhos.

Lusa 24 de outubro de 2026 às 14:09
Álvaro Salazar Oficina Musical/Facebook

O compositor, maestro e professor Álvaro Salazar morreu na sexta-feira, anunciou este sábado a Oficina Musical, grupo dedicado ao estudo e divulgação da música contemporânea, que fundou.

Álvaro Salazar nasceu no Porto, em 1938, estudou no Conservatório Nacional de Lisboa, onde foi professor de Composição, funções que também exerceu na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE) do Porto, atual Faculdade de Artes Performativas, que reagiu na sua página oficial no Facebook à morte do compositor.

Para esta faculdade, Álvaro Salazar "foi uma referência incontornável no ensino, na criação artística e na divulgação da música dos séculos XX e XXI, deixando um legado de enorme relevância para sucessivas gerações de estudantes, intérpretes, compositores e investigadores", que contribui "significativamente para o desenvolvimento da música contemporânea em Portugal e para a afirmação de uma cultura musical aberta, crítica e inovadora".

Álvaro Salazar começou por se licenciar em Direito, pela Universidade de Lisboa, e a iniciar carreira diplomática, que depressa abandonou, passando a dedicar-se exclusivamente à música.

Após a formação em Portugal, prosseguiu os estudos musicais na École Normale de Paris (1973-75), onde concluiu o Curso de Direcção de Orquestra, com a mais alta classificação. Estudo com os regentes Pierre Dervaux e Hans Swarowsky, e com o compositor Gilbert Amy.

Na altura, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, fez igualmente o Estágio de Música Electroacústica do Groupe de Recherches Musicales.

No regresso a Portugal, em 1978, Álvaro Salazar fundou a Oficina Musical, do qual foi diretor artístico, iniciando uma atividade de divulgação e estudo da música nova, ao longo de quase 50 anos, que se traduziu em centenas de concertos, em palcos portugueses e estrangeiros, com agrupamentos e solistas "do mais elevado nível", mas sobretudo abrindo sempre a porta a jovens artistas em início de carreira - uma das diretrizes da Oficina Musical, como recorda o Centro de Investigação e Informação da Música Portuguesa (MIC.PT).

Este centro, que dedica um capítulo ao compositor na sua plataforma na Internet, escreve que Álvaro Salazar "teve um papel fundamental" no ensino da Análise Musical, Composição e Música de Conjunto, recordando que lecionou na Escola de Música do Conservatório Nacional e nas Escolas Superiores de Música do Porto e de Lisboa, onde também deu as disciplinas de Introdução à Música Electroacústica, História da Música do Séc. XX e Estética.

Álvaro Salazar, como maestro, além de orquestras portuguesas, trabalhou com formações de países como Espanha, França, Alemanha e Itália, tendo respondido por primeiras audições mundiais e portuguesas de compositores como Anton Webern, Charles Ives, Edgar Varèse, György Ligeti, Hans Eisler, Heitor Villa-Lobos, Kurt Weill, Morton Feldman, Paul Dessau, entre muitos outros.

Os antigos Encontros Gulbenkian de Música Contemporânea contaram com a colaboração de Álvaro Salazar, na programação. Como maestro foi também titular do Grupo de Câmara do Festival do Estoril de 1979 a 1975. Presidiu o Conselho Português da Música e foi vice-presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Autores.

Álvaro Salazar recebeu a Medalha de Mérito Ouro da Câmara Municipal do Porto, o Prémio Almada do Instituto das Artes do Ministério da Cultura (atual Direção-Geral das Artes), a Medalha de Honra da Sociedade Portuguesa de Autores e a homenagem da Cooperativa Árvore, do Porto.

Entre as obras do compositor destacam-se, para instrumentos solistas e diferentes formações de câmara, "Palimpsestos", "Ludi Officinales", "Périplos", "Décima quinta Anotação, in memoriam Fernando Lopes-Graça" e "Giuoco Piano". Para orquestra escreveu composições como "Glosa! Fanfarra sobre uma fantasia de António Carreira" e "Triplo Concerto Grosso".

Hoje, nas redes sociais, multiplicam-se reações de pesar à morte de Álvaro Salazar, em particular de compositores, musicólogos e músicos que foram seus alunos e parceiros de ensino, como António Pinho Vargas, António Saiote e Rui Vieira Nery.

Nas suas páginas nas redes sociais, o músico Pedro Abrunhosa, que foi contrabaixista na Oficina Musical e dedicou a Álvaro Salazar o seu álbum de estreia, "Viagens", escreve: "Mais do que meu professor nas disciplinas de Composição, Análise e História da Música, Álvaro Salazar foi o meu verdadeiro Mestre no puro sentido clássico do termo. A Música tornava-se matéria secundária, implícita, de tão endógena lhe era. Fascinava-o mais o emaranhado invisível que tece e é tecido pela Humanidade... [Com ele], aprendi que a Música não tem impossíveis".

A Oficina Musical anunciou que "a cerimónia de despedida" de Álvaro Salazar se realiza hoje, a partir das 15:00, no Tanatório de Matosinhos.

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