De 24 a 26 de abril, e de 1 a 3 de maio
O Teatro de Animação de Setúbal (TAS) regressa à peça "Manual do bom fascista", com seis récitas dessa "paródia para rir em más companhias", de 24 a 26 de abril, e de 1 a 3 de maio, anunciou a companhia.
Numa altura em que se celebram duas datas simbólicas e históricas para a democracia, "o 25 de Abril e o 1.º de Maio", o TAS volta a repor a peça baseada no livro homónimo de Rui Zink, por considerar que está "atualíssima", disse a companhia à agência Lusa.
A "atualidade e a pertinência do texto" face "a esta forma crescente do fascismo, que parece ter vindo a instalar-se e não se vai embora, antes pelo contrário", foram pretextos para pôr em palco a peça baseada no compêndio homónimo de 151 lições para "aprendizes de bons fascistas", escrito por Rui Zink, autor que o TAS já por várias vezes trabalhou.
Rir, alertar e, "eventualmente, fazer as pessoas rirem" perante o "aumento de ideologias radicais e crescentes manifestações de extrema-direita, um pouco por todo o mundo", foi o objetivo da produção, disse a encenadora Célia David, também diretora artística do TAS, na altura da estreia, no passado mês de novembro.
"Rir para não chorar", disse a encenadora, considerando impossível que a sociedade se abstraia "de que, de facto, a situação pode ser perigosa". A agravar o perigo está o desconhecimento "das proporções que irá tomar no futuro", sustentou.
"Enquanto é tempo, vamos demonstrar que temos uma palavra a dizer, até porque o futuro parece ser relativamente assustador, se levar este caminho", argumentou a também autora da dramaturgia.
Daí, esta "paródia para rir em más companhias", como então a definiu.
Das 151 lições constantes do "Manual do bom fascista", Célia David selecionou mais de 20: as mais "adaptáveis" a teatro, além de lhes acrescentar diálogos e "dois ou três apartes".
Antes de entrar para a sala do Teatro de Bolso, o público recebe uma caneta e um impresso com o "Fascistómetro", um "singelo inquérito" semelhante ao contido na obra original, sendo instado a preenchê-lo.
A interpretar estão Cristina Cavalinhos, como atriz convidada, Andreia Trindade, Cláudia Aguizo e André Moniz, que também assiste na encenação.
Com vozes 'off' de Célia David, Duarte Victor e Miguel Assis, a coreografia é de Carlos Prado, a cenografia de Flávio Rina e os figurinos e adereços de Sara Rodrigues. No desenho de luz está José Santos, na sonoplastia Luís Oliveira e na operação técnica Celso Ferreira.
Em janeiro último, o TAS regressou com a peça ao palco do Teatro de Bolso para mais nove récitas, devido ao êxito de bilheteira do espetáculo, com récitas completamente esgotadas.
Em março, os eleitos do Chega na autarquia de Setúbal votaram contra o apoio do município às duas companhias de teatro existentes na cidade, com eleitos do PS, e BE a criticarem o voto daqueles, considerando-os uma "tentativa de censura à liberdade artística e aos valores democráticos".
A polémica surgiu na sequência das justificações apresentadas pelos eleitos do Chega para o voto contra os apoios municipais ao Teatro de Animação de Setúbal e ao Teatro Estúdio Fontenova, alegando que as duas companhias representam "agendas ideológicas divisivas", por o TAS ter levado à cena a peça "Manual do Bom Fascista" e o Teatro Estúdio Fontenova ter participado na 1.ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Setúbal, organizada pela cardume coletivo, em outubro de 2025.
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