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A homenagem e o discurso que soaram a adeus: a última vez que Palma falou ao País

A entrega do Prémio Carreira a Jorge Palma, nos Prémios Play, em abril, transformou-se em despedida: recorde a última grande declaração pública de Jorge Palma.

Pedro Henrique Miranda 22 de setembro de 2026 às 11:53
Jorge Palma Bruno Teixeira Pires

O lugar no Panteão da arte nacional está mais do que assegurado, pelo que o tributo aos mais de 50 anos de carreira nos Play: Prémios da Música Portuguesa faria sempre sentido. Poucos dos presentes no Coliseu dos Recreios naquele 23 de abril imaginariam, no entanto, que meros cinco meses depois morreria Jorge Palma, deixando um vazio na música portuguesa impossível de preencher.

Olhando agora para esse momento, é impossível não lhe atribuir um significado diferente. Com membros da sua banda ao vivo, um elenco de vozes que incluiu Sérgio Godinho, Tim, Marisa Liz, Inês Marques Lucas, Miguel Luz e os dois filhos de Jorge, Vicente e Francisco Palma, algumas das suas contribuições mais duradouras para o cânone nacional foram interpretadas ao vivo: Canção de Lisboa, Dá-me Lume, Portugal, Portugal, Frágil e A Gente Vai Continuar.

Da plateia, Palma aplaudia e juntava-se ao coro das suas próprias canções, visivelmente emocionado e de cravo vermelho ao peito. O momento pode ser visto ou revisto no vídeo abaixo:

Mais signficativo ainda foi o momento em que o próprio Palma subiu a palco para receber o Prémio Carreira, não sem antes agradecer e abraçar todos os músicos que o homenagearam. As suas palavras, que compõem a última declaração pública substancial que deixa ao País, são hoje o adeus de um dos mais talentosos compositores da sua geração.

"Um prémio carreira não é para todos os dias, de facto", começou por dizer, com o seu habitual sentido de humor, antes de se lançar numa onda desajeitada de agradecimentos, incluindo a todos os que o haviam "ajudado, ensinado, tratado e curado". O agradecimento “aos profissionais do SNS, que fazem tudo com os poucos meios que têm”, soa agora particularmente pungente. 

Deixou uma palavra às "diferentes gerações que trabalham em simultâneo na música portuguesa", postulando que "era preciso que os políticos e governantes tivessem visão suficiente para pegar neste potencial, nesta energia e neste talento todo" – quanto à cultura em Portugal, disse estar "à espera que se faça de facto uma reforma eficaz".

"Não podemos deixar que o 25 de Abril se torne uma memória distante, uma imagem a desvanecer-se lá longe", acrescentou, exortando à força para "reinventar o espírito de Abril". Encerrou com um pedido: "Malta, mãos à obra, vamos fazer deste país uma coisa que merece ser melhor. Viva o 25 de Abril, viva a Liberdade, viva a Democracia!"

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