Entrevista

Charles E. Rosenberg: "Existe tendência para procurarmos culpados pela pandemia"

Charles E. Rosenberg: 'Existe tendência para procurarmos culpados pela pandemia'
Leonor Riso 22 de abril

Professor emérito de História da Ciência na Universidade de Harvard, em 1989 descreveu a resposta de uma sociedade a uma epidemia. 32 anos depois, encontra semelhanças entre o que escreveu e a covid-19.


Charles E. Rosenberg tem 84 anos e dedicou a sua vida à história da ciência e medicina. Professor emérito de História da Ciência na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, publicou em 1989 o artigo O que é uma epidemia? SIDA numa perspetiva histórica, em que descreve como é que as sociedades vivem uma epidemia. 32 anos depois, é possível encontrar semelhanças entre as ideias de Rosenberg e a forma como experienciamos a pandemia de covid-19.

Para Rosenberg, uma sociedade responde a uma epidemia como se estivesse numa peça de teatro em três atos. No primeiro, ocorre a "revelação progressiva" da situação, quando as comunidades são lentas a reconhecer e a aceitar a epidemia. De seguida, surge a "gestão da aleatoriedade" e o acordo coletivo sobre o que provoca o fenómeno, numa tentativa de o controlar. O ato final é o da "negociação da resposta pública", tanto dos governos como dos elementos de uma comunidade, que culmina com a análise sobre como se lidou com o desafio.

À SÁBADO, Rosenberg diz acreditar que passámos pelos mesmos atos com a pandemia de covid-19 e, como noutras epidemias, "há tendência para procurar culpados".

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