Entrevista
Entrevista

“No Brasil, há agora a terciarização do caixa dois [saco azul]”

“No Brasil, há agora a terciarização do caixa dois [saco azul]”
Marco Alves 18 de abril
Biografia Nome:

Patrícia Campos Mello

Cargo:

Jornalista Folha de S. Paulo

Nacionalidade:

Brasileira

Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha de São Paulo, escreveu um livro sobre as campanhas de difamação e fake news nas redes sociais – de que ela própria foi vítima, com o incitamento do governo de Jair Bolsonaro.

Logo no início do livro A máquina do ódio, Patrícia Campos Mello diz que vive "num mundo bizarro". E tem uma data de entrada: 18 de outubro de 2018. O Brasil estava a poucos dias da 2ª volta das presidenciais entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O artigo (o primeiro de vários) que publicou na Folha de São Paulo era sobre o envio em massa por WhatsApp de mensagens de ódio e de fake news contra o candidato do PT e sobre como essas táticas digitais sujas têm poder e potencial para influenciar campanhas. Os artigos mostravam como estavam disponíveis no mercado pacotes com dados de milhões de cidadãos e como houve empresários (deduz-se que ligados a Bolsonaro) que os compraram para fins eleitorais. A polémica originou novas leis: os dados dos cidadãos estão agora mais protegidos e o seu envio em massa é ilegal.

Pelo meio, Patrícia Campos Mello entrou à força na máquina do ódio. Foi alvo de centenas de montagens ofensivas e fake news, que tiveram centenas de milhares de partilhas. Mais ainda: em 2013 (quando não era jornalista de política) disse que votava no PT. Esse erro (hoje diz que foi um erro) virou-se contra si. E houve depois uma fonte desses artigos (Hans River) que apareceu a dizer que ela o seduziu para obter informações, oportunidade que Jair Bolsonaro e o filho Eduardo não perderam para piadas de cariz brejeiro e sexual. Patrícia e o seu jornal apresentaram provas de que era mentira e processaram os três: Jair Bolsonaro foi condenado, há poucos dias, a pagar 20.000 reais (€2.900); o filho Eduardo, 30.000 reais (€4.400), tendo já recorrido; não há decisão ainda sobre Hans River.

Patrícia Campos Mello falou com a SÁBADO por Skype a partir da sua casa, em São Paulo.

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