EasyJet aceita proposta de compra de 6 mil milhões da Castlelake
Empresa de investimento norte-americana propõe 6,90 libras (cerca de oito euros) por cada ação da companhia aérea. Regras europeias obrigam comprador a ter parceiro europeu.
À quinta foi de vez. A EasyJet, companhia aérea britânica e uma das maiores operadoras de voos de baixo custo, chegou a um princípio de acordo para aceitar uma proposta de compra da americana Castlelake no valor de 5,4 mil milhões de libras, o equivalente a 6,06 mil milhões de euros ao câmbio atual.
Parece assim chegar ao fim uma série negocial aguerrida, com a empresa de investimento Castlelake a ter apresentado em maio a primeira proposta pela EasyJet, que foi rejeitada. Seguiram-se outras três, cada uma superior à outra, que foram igualmente rejeitadas no desenrolar das semanas.
Mas o tom da negociação entre as duas empresas mudou após a proposta apresentada no final de junho, com um valor de 6,50 libras por ação. Essa proposta já colocava o valor do negócio na casa dos 5,7 mil milhões de euros. A EasyJet aceitou então partilhar alguns dados da sua operação com o potencial comprador.
E o valor do negócio era justamente uma das críticas que a EasyJet apresentava para rejeitar as sucessivas propostas. Segundo a agência de notícias financeiras Bloomberg, a operadora britânica considerou a primeira proposta da Castlelake como "altamente oportunista", dizendo que queria fazer o negócio "barato".
Agora, a empresa de investimento Castlelake apresentou uma proposta de 6,90 libras por ação. Na sessão de sexta-feira, as ações da EasyJet terminaram a negociação nas 5,582 libras por título, com a atual proposta a representar uma valorização de cerca de 23% face ao preço de mercado da última negociação.
Ainda segundo a Bloomberg, a Castlelake precisa de um parceiro europeu na operação, já que as regras do Reino Unido e da União Europeia exigem que a maioria do controlo esteja nas mãos de cidadãos ou entidades desses blocos de países. No final de junho, o grupo de crédito privado afirmou estar aberto à possibilidade de os acionistas da EasyJet manterem o investimento na companhia aérea como parte do negócio, que, segundo a empresa, foi estruturado de forma a cumprir as regras europeias.
O maior acionista da EasyJet é a família de Stelios Haji-Ioannou, fundador da companhia aérea, que detém uma participação de 15,3%.