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FIFA reafirma intenção de manter o plano de abertura ao investimento privado

Lusa 31 de julho de 2026 às 11:53

O plano, apresentado na terça-feira com grande surpresa, foi amplamente criticado tanto pelo seu conteúdo como pela sua forma.

A FIFA confirmou esta sexta-feira a intenção de manter o plano de abertura ao investimento privado, apesar da forte oposição de grande parte dos seus membros, afirmando ter ouvido as críticas, mas que irá manter as consultas "abertas e democráticas".

Gianni Infantino aborda a situação das jogadoras iranianas na FIFA Foto AP/Alessandra Tarantino, Arquivo)

"O processo de consulta que tínhamos planeado foi prejudicado por informações imprecisas divulgadas pelos meios de comunicação social", defende a FIFA em comunicado, acrescentando que irá continuar o processo "para que cada federação-membro possa expressar a sua opinião".

O plano da FIFA, apresentado na terça-feira com grande surpresa, foi amplamente criticado tanto pelo seu conteúdo como pela sua forma.

A UEFA, que reúne 55 federações europeias e sete dos últimos dez campeões do Mundo, chegou a ameaçar unanimemente na quinta-feira não participar nas próximas competições da FIFA, incluindo o Mundial, caso o organismo não abandonasse o seu plano.

Lastimando que a elaboração da proposta tenha sido feita "em segredo", a UEFA lamentou que "qualquer decisão sobre o calendário internacional, o formato das competições e qualquer decisão que reformule o futuro do futebol deixe de ser tomada para servir os interesses do futebol, mas sim os dos acionistas".

A CONCACAF, que reúne 41 federações da América do Norte, América Central e Caraíbas, rejeitou a proposta, enquanto a Confederação Africana de Futebol (CAF) foi menos crítica, apelando às suas associações-membro para que examinassem e avaliassem a proposta.

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) endossou a oposição da UEFA e da CONCACAF ao plano da FIFA de criar uma empresa comercial aberta a investidores privados, com o objetivo de "proteger o Mundial", conforme anunciado em comunicado.

"Dadas as posições expressas pela UEFA e pela CONCACAF, bem como as divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC acredita que a proposta da FFE (FIFA Forward Enterprise) não pode, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar", enfatizou a confederação, composta por 47 membros.

Embora não se oponha explicitamente ao plano, a AFC acredita que "qualquer proposta que ameace minar a unidade e a universalidade" do Mundial "deve ser reconsiderada", após a ameaça da UEFA de boicotar as competições da FIFA.

"Ninguém está a vender futebol. Isto é algo que a FIFA nunca consideraria", afirmou o organismo que tutela a modalidade a nível mundial, em resposta a uma reação do presidente da UEFA, Aleksander Ceferin.

A FIFA adianta que respeita o 'feedback' e as preocupações que foram tornadas públicas e reafirma o compromisso de realizar uma consulta "aberta e democrática".

O plano da FIFA prevê a criação de uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), encarregada de gerir as suas atividades comerciais (transmissão, patrocínio, venda de bilhetes, licenciamento) e eventos (Mundial, Mundial de Clubes, em masculinos e femininos).

Os investidores privados poderão deter ações, mas manter-se-ão como acionistas minoritários, prometeu a entidade máxima do futebol, que espera arrecadar até 4.200 milhões de dólares (cerca de 3.662 milhões de euros), com base numa avaliação de 20.000 milhões de dólares (17.437 ME).

Caso o projeto se concretize, cada uma das 211 federações-membro da FIFA poderá ver a sua dotação aumentar de 8 milhões de dólares (7 ME) para 20 milhões de dólares (17,4 ME) no período de 2027 a 2030.

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