Instituto Português do Sangue e da Transplantação alerta que são utilizadas mil a 1.100 unidades de sangue, por dia, nos hospitais.
As dádivas de sangue registam habitualmente uma quebra durante o verão, devido ao período de férias e de descanso. Desse modo, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) apela à sensibilização dos dadores para um reforço das dádivas nesta altura do ano. “Dar sangue é um gesto simples – que só dura cerca de 30 minutos – sem contraindicação para um adulto saudável e pode ajudar a salvar até três vidas”, explica o Conselho Diretivo da entidade, em declarações à SÁBADO.
Todos os dias, são precisas cerca e mil a 1.100 unidades de sangue, nos hospitaisMariline Alves/Correio da Manhã
Apesar da mudança nas rotinas, impulsionada pelas férias de verão, “as necessidades nos hospitais mantêm-se inalteradas: continuam a existir doentes a precisar diariamente de transfusões sanguíneas, vítimas de acidentes rodoviários, doentes oncológicos, intervenções cirúrgicas programadas e situações de emergência”. Todos os dias, são precisas cerca e mil a 1.100 unidades de sangue, nos hospitais.
“A dádiva de sangue é essencial para o Sistema Nacional de Saúde (SNS). O sangue não se fabrica artificialmente e só com dádivas voluntárias e altruístas os doentes podem receber os tratamentos que precisam”, adverte o IPST. “Quem dá sangue dá um pouco de si, quem recebe pode ser uma vida inteira. Dar sangue é dar amor e esperança a quem tanto dela precisa.”
O grupo sanguíneo mais necessitado, à data de publicação deste texto, é o O positivo. Ao longo do verão, o IPST divulgará os tipos mais carenciados. A atualização é feita às segundas e sextas-feiras, através das redes sociais.
O que é importante saber antes de doar sangue?
Nem todas as pessoas podem ser doadoras. Antes de proceder à dádiva, é importante averiguar se reúne as seguintes condições:
Ter mais de 18 anos (a primeira dádiva depois dos 60 anos e a possibilidade de dadores regulares darem até aos 70 passou a ser critério médico);
Ter peso igual ou superior a 50 quilogramas;
Estar saudável.
Em caso de dúvida sobre questões que possam impedir a dádiva, o IPST recomenda que “os potenciais dadores de sangue, antes de se deslocarem, façam o questionário de autoavaliação disponível em www.ipst.pt. Para saber os locais de horários de colheita deve consultar-se www.dador.pt”.
As tatuagens são um tema que suscita frequentemente dúvidas. O IPST esclarece que, “apesar de ser constantemente divulgado, o impedimento para dar sangue por ter tatuagens é um mito. É apenas necessário esperar quatro meses, após ter feito a tatuagem”.
Para quem já se estreou enquanto dador, de relembrar que é aceitável um intervalo mínimo de dois meses entre dádivas, desde que não ultrapasse as três colheitas, no caso das mulheres, e as quatro, no caso dos homens. A discrepância deve-se ao facto das mulheres perderem regularmente ferro durante a menstruação e terem reservas de hemoglobina geralmente mais baixas. O maior período de recuperação serve para evitar anemias.
IPST enfrenta “alguns desafios”
“Existem alguns saldos devedores por parte de entidades hospitalares, públicas e privadas. No entanto, estes valores necessitam de ser avaliados em função dos prazos de pagamento, dos planos de regularização financeira e da validação contínua de faturas pelas respetivas instituições nos exercícios de regularização periódicos que têm vindo a acontecer”, avança o Conselho Diretivo do IPST.
Os profissionais do IPST têm como missão “garantir uma resposta de excelência nas áreas do sangue e da transplantação. Apesar da escassez de recursos humanos que afeta todo o setor da saúde, o Instituto tem conseguido dar uma resposta consistente às necessidades dos doentes, não obstante alguns desafios”, completa.
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