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Antes de existir Portugal, já este palácio fazia parte da História
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Antes de existir Portugal, já este palácio fazia parte da História
No coração da vila de Sintra ergue-se um dos edifícios mais antigos da história de Portugal. Mas o Palácio Nacional de Sintra nunca foi apenas cenário do passado. Continua ligado ao quotidiano da vila e é um dos melhores exemplos de como o património pode permanecer vivo ao longo dos séculos.
Há edifícios que testemunham a História.
Outros confundem-se com ela. O Palácio Nacional de Sintra pertence ao segundo
grupo. Muito antes da fundação de Portugal, já existia neste lugar uma
residência ligada ao poder. Ao longo de mais de oito séculos, todos os reis portugueses habitaram este palácio e muitos deixaram aqui a sua marca. Uns ampliaram salas, outros construíram alas inteiras, outros escolheram-no como residência preferida durante longas temporadas. O resultado é um edifício que acompanha toda a história da monarquia portuguesa.
É precisamente essa relação contínua entre
passado e presente que inspira o terceiro episódio de O Tempo de Sintra,
projeto criado pela Parques de Sintra para assinalar os 30 anos da
classificação da Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial da UNESCO.
Mais do que revisitar episódios históricos, o filme propõe um olhar sobre um
lugar que nunca deixou de fazer parte da vida da vila.
Um palácio construído ao ritmo de Portugal
Poucos monumentos portugueses permitem ler a História
do país de forma tão clara.
A origem do palácio remonta ao período
islâmico, mas foi a partir do século XIII que começou a assumir a configuração
que hoje conhecemos. Cada reinado acrescentou uma nova camada ao edifício. D.
Dinis, D. João I, D. Manuel I ou D. João III deixaram intervenções que
atravessam diferentes estilos arquitetónicos, do gótico ao manuelino, passando
pelo mudéjar e pelo renascimento.
Ao contrário de muitos palácios europeus
concebidos de uma só vez, o Palácio Nacional de Sintra cresceu lentamente,
acompanhando a evolução do próprio reino. É essa construção contínua que lhe
confere uma identidade única.
As duas chaminés cónicas que hoje dominam a
paisagem da vila tornaram-se um dos maiores símbolos de Sintra. Mas basta
atravessar as suas salas para perceber que o verdadeiro património está nos
detalhes: os tetos pintados, os azulejos mudéjares, os pavimentos, as janelas
abertas sobre a serra e os espaços onde durante séculos se decidiram destinos
políticos e dinásticos.
Um palácio que sempre pertenceu à vila
Ao contrário de outras residências reais
isoladas do quotidiano, o Palácio Nacional de Sintra nunca se afastou da vida
da população.
Implantado no centro histórico, continua hoje
rodeado por ruas, comércio, cafés e visitantes. O som da vila atravessa as suas paredes, lembrando que este nunca foi um monumento distante da população.
É precisamente essa relação que distingue este
edifício. Durante séculos recebeu reis, rainhas, nobres, diplomatas e artistas.
Hoje recebe visitantes de todo o mundo, mas continua integrado no mesmo tecido
urbano que o viu crescer. A vida acontece à sua volta. E o palácio
continua a fazer parte dela.
Parques de Sintra
O poder também se escreve nos detalhes
Grande parte da importância histórica deste
lugar não resulta apenas dos acontecimentos que aqui tiveram lugar, mas da
forma como o edifício foi sendo transformado para responder às necessidades de
cada época.
A Sala dos Brasões permanece como um dos
espaços mais emblemáticos da arquitetura portuguesa. O teto representa a
hierarquia da nobreza nacional através dos brasões das principais famílias do
reino, afirmando simbolicamente a ordem política da época. Noutras salas, os
azulejos revelam influências islâmicas, flamengas e italianas, testemunhando
séculos de contactos culturais.
Percorrer o palácio é compreender que o poder
não se afirmava apenas através de leis ou batalhas. Também se expressava na
arquitetura, na decoração e na forma como os espaços eram organizados. Cada sala conta uma parte dessa história.
Parques de Sintra
Um património que continua a revelar-se
Depois do fim da monarquia, o Palácio Nacional
de Sintra iniciou uma nova etapa.
As campanhas de conservação e restauro
permitiram recuperar pinturas murais, azulejos, tetos e elementos
arquitetónicos que permaneciam ocultos ou degradados. Desde que assumiu a gestão do monumento, a Parques de Sintra tem desenvolvido um trabalho contínuo de investigação, conservação e valorização, permitindo que novas descobertas continuem a surgir. Estas dão origem a reformulações museográficas que revelam novas perspetivas sobre o quotidiano, os hábitos e as histórias de quem viveu no palácio, convidando o público a regressar.
Essa talvez seja a maior qualidade deste
lugar. É um monumento que nunca se esgota numa única visita. Cada percurso
revela um novo detalhe. Cada sala conta uma história diferente. Cada janela
oferece uma nova perspetiva sobre a vila e a serra.
Onde o tempo continua presente
Celebrar os 30 anos da classificação da
Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial da UNESCO é também
reconhecer que o património não vive apenas daquilo que preserva, mas da forma
como continua a relacionar-se com quem o visita.
O Palácio Nacional de Sintra permanece
exatamente onde sempre esteve: no centro da vila. Mas o seu verdadeiro lugar
continua a ser outro. Entre a memória e o presente. Entre a História de
Portugal e a vida quotidiana de Sintra.
É por isso que continua a receber quem o
visita pela primeira vez e quem regressa uma e outra vez. Porque há lugares
onde o tempo nunca deixa de acontecer.
O Tempo de Sintra: cinco episódios para descobrir uma Paisagem Cultural única
Ao longo de cinco episódios, O Tempo de Sintra propõe um novo olhar sobre alguns dos monumentos mais emblemáticos geridos pela Parques de Sintra, assinalando os 30 anos da classificação da Paisagem Cultural de Sintra como Património Mundial da UNESCO. Cada episódio parte de uma ideia diferente sobre o tempo, mostrando como estes lugares continuam vivos e em permanente transformação.
Episódio 3: O Tempo do Poder: Palácio Nacional de Sintra
Episódio 4: O Tempo do Encontro: Parque e Palácio de Monserrate
Episódio 5: O Tempo do Gesto: Escola Portuguesa de Arte Equestre
Cinco lugares. Cinco formas de olhar para o património. Cinco histórias que mostram porque continua Sintra a ser uma das paisagens culturais mais extraordinárias do mundo.
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