A doença é detetada a um ritmo de 15 novos casos
por dia em Portugal. Por ano, são mais de 6.100 novos casos, cerca de 9% de
todos os cancros diagnosticados no país. A doença é responsável por cerca de
5.600 mortes anuais, o correspondente a cerca de 13 mortes por dia. A campanha "Não Deixes que o Pulmão te Rebente na Mão", promovida pela Johnson & Johnson Innovative Medicine Portugal em parceria com a Pulmonale, Associação Portuguesa de Luta contra o Cancro do Pulmão, decorre ao longo de agosto, mês em que se assinala o Dia Mundial do Cancro do Pulmão.
Continua a ser a principal causa de morte por cancro
em Portugal, ainda que represente menos de 10% da incidência oncológica total.
É o reflexo de um diagnóstico tardio e de uma doença particularmente agressiva.
Durante muitos anos, o cancro do pulmão foi encarado como
uma doença única. Hoje sabe-se que essa visão estava incompleta. Existem
diferentes tipos de tumores pulmonares, cada um com características biológicas
próprias, comportamentos distintos e respostas diferentes aos tratamentos
disponíveis, e essa descoberta tem mudado por completo a forma como a doença é
tratada.
A importância do rastreio
O rastreio surge como uma das principais oportunidades para
inverter esta realidade. Estudos internacionais mostram que programas de
rastreio com TAC de baixa dose permitem identificar tumores em estádios
iniciais e podem reduzir a mortalidade por cancro do pulmão em mais de 20%.
Quando a doença é detetada numa fase inicial, a
sobrevivência aos cinco anos pode atingir valores entre 70% e 90%. É uma
diferença que ajuda a explicar porque é que, em Portugal, a sobrevivência
global aos cinco anos para esta doença ronda apenas os 15%.
Medicina de precisão: ir às características de cada tumor
Ao lado do rastreio, a medicina de precisão tornou-se a
segunda grande frente de mudança no cancro do pulmão. "A medicina de
precisão está a mudar a forma como o cancro do pulmão é compreendido e
tratado", explica Eugenia Vispo, diretora médica da J&J Innovative
Medicine Portugal. "Hoje, já não basta identificar a doença, é cada vez
mais importante conhecer as características específicas de cada tumor",
acrescenta.
Essa análise às alterações moleculares do tumor não é só um
detalhe técnico, tem impacto direto na esperança de vida dos doentes.
"Hoje, graças aos avanços da medicina de precisão, doentes com mutações
genéticas específicas que recebem terapias-alvo ou imunoterapias alcançam uma
sobrevida média de 3 a 5 anos", sublinha a diretora médica.
Há duas décadas, um doente com cancro do pulmão metastizado
tinha uma esperança de vida mediana inferior a um ano. Hoje, graças aos avanços
da ciência, esses doentes podem viver até mais 5 anos.
CP-595602