O PS só já conhece o socialismo de forma platónica.
José Sócrates aplicou, com mão de ferro, a doutrina que Tony Blair legou ao mundo: a esquerda dos interesses, e não dos ideais. Dilatado pela retórica e preso de pequenas ideias, o PS desabituou-se de pensar. Tornou-se um gestor de interesses políticos, e não de mudança. Não é pequena a tarefa que espera António José Seguro. E é simples: devolver, a prazo, o poder ao PS. É isso que esperam os que o elegeram. Mas isso só acontecerá se, no imenso consenso que é o acordo com a troika, surgir um mundo de ideias diferentes. Esse é o principal problema de Seguro. O memorando é um acordo económico-financeiro. Mas também é ideológico. Era fácil ao PS de Sócrates assiná-lo. É difícil a um PS que tente ser a voz que alerta contra os sacrifícios sociais bebê-la como cicuta açucarada. Não é fácil, o legado que Seguro herda. Mas hoje também não é fácil ser poder em Portugal. Desde que a dívida e o défice se fundiram no acordo com a troika, o País ficou só com um único e exclusivo Programa de Governo. O alvo de Seguro só poderá ser o que o PSD fará a mais, e não o que fará a menos do que o acordado. Mas, essencialmente, terá de transformar o PS de um partido de "boys" unidos por interesses, como o que Sócrates deixou como sibilina herança, num bloco político onde as diferenças fiquem bem explícitas. Sabe-se que os partidos são grupos que, sobretudo, desejam ocupar e gerir o poder. Mas para isso devem ter ideias, e não apenas esperar que quem está no Governo caía por cansaço extremo.
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