O advogado criticou a "investigação deplorável" e alegou "ausência total de provas capazes de convencer um jurado racional".
O advogado de Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos nos Estados Unidos, pediu esta terça-feira a um juiz que a declarasse inocente, após um julgamento de grande impacto em que o júri não conseguiu chegar a um veredicto.
Lindsay Clancy está acusada de matar os três filhosAP Photo/Josh Reynolds, Pool
Kevin Reddington questionou a credibilidade da confissão da sua cliente, argumentando que "lhe contaram o que tinha acontecido", embora não tivesse "qualquer memória" do facto.
Durante o julgamento, não negou as acusações contra a mulher de 36 anos, mas tentou demonstrar que esta sofria de psicose pós-parto e não podia ser responsabilizada criminalmente.
O advogado de defesa criticou ainda a "investigação deplorável" e alegou a "ausência total de provas capazes de convencer um jurado racional".
A procuradora Jennifer Sprague classificou o argumento como ridículo.
O juiz William Sullivan, do tribunal de Plymouth, perto de Boston (nordeste), não proferiu uma decisão imediata e uma nova audiência está marcada para 02 de novembro.
Na nova audiência será discutido outro requerimento da defesa para o arquivamento total do processo.
Este pedido trata da validade da decisão do juiz de anular o julgamento após o impasse nas deliberações, durante as quais um dos doze jurados se opôs a declarar Lindsay Clancy inocente com base no seu estado psiquiátrico.
A acusação é contra a divulgação de informação adicional sobre os sete dias de deliberações, argumentando que isso teria um "efeito dissuasor" sobre os júris.
Além disso, não anunciou oficialmente se pretende ou não submeter a acusada a um novo julgamento.
A mulher pode ser condenada a prisão perpétua por ter estrangulado os seus filhos, que tinham cinco anos, três anos e oito meses de idade.
Atualmente internada numa instituição psiquiátrica, afirmou, entre outras coisas, que uma voz lhe tinha ordenado que matasse os filhos. Desloca-se em cadeira de rodas desde que tentou o suicídio após o triplo infanticídio.
Em depoimento, psiquiatras e pessoas próximas, incluindo o seu ex-marido e pai das crianças, descreveram o seu sofrimento.
A acusação, por outro lado, sustenta que Lindsay Clancy agiu com premeditação e foi capaz de compreender as consequências do seu ato.
O caso gerou um intenso debate nos Estados Unidos.
Muitas mulheres manifestaram-lhe apoio, procurando sensibilizar a opinião pública para a psicose pós-parto, uma condição que afeta uma em cada duas mulheres em cada mil partos, segundo as associações da área.
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