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Sobreviventes da Chapecoense regressam à Colômbia

09 de maio de 2017 às 19:19

Os três futebolistas e o jornalista reconheceram a "emoção" de voltar ao país 162 dias depois do acidente

Os quatro brasileiros que sobreviveram ao acidente aéreo que em Novembro vitimou 71 pessoas ligadas à Chapecoense voltaram à Colômbia, onde vão confrontar-se com as memórias e assistir à segunda mão da Supertaça Sul-Americana.

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Chapecoense
Foto: Reuters
Chapecoense
Foto: Reuters
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Os futebolistas Alan Ruschel, Helio Neto e Jackson Follmann e o jornalista Rafael Rushchel reconheceram a "emoção" de voltar à Colômbia 162 dias depois do acidente, motivados a cumprir promessas, reencontrar-se com quem lhes salvou a vida e mostrar gratidão pela solidariedade do povo colombiano, ao qual estão "eternamente agradecidos".

"Estou em fase de reconstrução", assumiu Neto, que esteve oito horas sob a fuselagem da aeronave, até ser encontrado por um polícia. O defesa central revelou o seu "agradecimento de coração a Marlon", o agente que o salvou: "Emocionei-me muito quando sobrevoámos as montanhas de Medellin. Preciso ver com os meus próprios olhos o que aconteceu".

Follmann, que perdeu a perna direita no acidente, reconheceu a "ansiedade" que sente nesta viagem, na qual procura respostas na montanha que "marcou" a vida de todos.  "Estou muito feliz por voltar à Colômbia. Emociona-me muito poder agradecer o carinho que todos me transmitiram. Quero abraçar todo o povo colombiano", disse o guarda-redes, desejoso por voltar ao hospital e "abraçar e conversar" com o pessoal médico que o salvou.

Ruschel fala deste regresso como a oportunidade de "cumprir a promessa" de reunir a sua esposa com os heróis que tornaram possível que hoje esteja vivo e continue a treinar com os seus companheiros. "Estou feliz por estar recuperado e estar de volta para agradecer ao povo colombiano", disse o lateral, "ansioso por voltar a jogar".

Os quatro sobreviventes terão a oportunidade de recuperar alguns dos seus pertences em ato simbólico que se realizará no município de La Unión, onde está situado o monte no qual ocorreu o acidente.  "Ainda tenho muitas coisas para entender", admitiu o jornalista Henzel, garantindo que estará "feliz" seja qual for o vencedor da Supertaça Sul-Americana na quarta-feira, na qual a Chapecoense traz vantagem de 2-1 do Brasil.

O Atlético Nacional venceu a Taça Libertadores, a principal competição de futebol da América do Sul, e a Chapecoense acabou por ver-lhe atribuído o triunfo na Taça Sul-Americana, por proposta do clube colombiano.

As equipas iam encontrar-se a 29 de Novembro na final, também a duas mãos, da Taça Sul-Americana, quando o avião que transportava a equipa brasileira caiu, matando 71 pessoas, 19 das quais futebolistas da Chapecoense.

A Chapecoense tem-se reconstruído com novos futebolistas e patrocinadores, embora os familiares das vítimas estejam ainda a ser penalizados pela falta de compensação financeira pelas suas perdas.

O clube brasileiro precisou de uma autorização especial para receber o desafio da primeira mão, já que o seu estádio, o Arena Conda, alberga apenas 22 mil espectadores, quando as regras da CONMEBOL definem que as finais continentais devem ser realizadas em recintos com um mínimo de 40 mil lugares.

A CONMEBOL declarou que os 200 mil habitantes de Chapecó desejam "pagar na sua própria cidade um tributo especial ao Atlético Nacional pelas suas ações de solidariedade e apoio oferecido à equipa na altura do acidente".

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