Entrevista
Entrevista de vida a Mithá Ribeiro

Vice do Chega: "Nos comentários aos meus artigos já li 'olha mais um monhé'"

Vice do Chega: 'Nos comentários aos meus artigos já li 'olha mais um monhé''
Alexandre R. Malhado 25 de março

Foi retornado, viveu numa barraca, trabalhou nas obras (e não só), mas afastou-se para muito longe do cliché do negro pobre. Professor, colunista do Observador, coordena o gabinete de estudos do Chega. Aprecia a ordem e a autoridade. Até nas suas aulas, na Margem Sul do Tejo.

Diz-se um resistente e não exibe amargura pelo esforço para ultrapassar as circunstâncias. Com "trabalho e responsabilidade", acreditou que a pobreza era uma situação temporária.



Nasceu no Moçambique colonial de 1965. Sentiu o preconceito na pele?
É uma sociedade esmagadoramente negra e um mulato tem qualquer coisa de indefinido. Quando eu era criança dizia-se que o mulato é "filho de uma quinhenta". Quinhenta era aquela moeda insignificante que os brancos pagavam para frequentar prostitutas dos arredores das cidades moçambicanas, em especial Lourenço Marques. Depois, na altura da independência surgiu "o mulato não tem bandeira", que foi o que me disseram num autocarro num trabalho de campo em Moçambique, já eu era adulto. Mas foi uma exceção:
a minha avó é negra, eu tenho essa ascendência, nunca tive problemas nesse tipo de relacionamento.

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