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OE2027: Dezenas de professores protestam em Lisboa contra desinvestimento na educação

Lusa 04 de novembro de 2026 às 17:55
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Docentes concentram-se em frente à Assembleia da República no dia em que o ministro da Educação foi ouvido no parlamento.

Dezenas de professores concentraram-se esta quarta-feira em frente à Assembleia da República, em Lisboa, para denunciar o desinvestimento e a falta de resposta aos problemas da educação na proposta de Orçamento do Estado para 2027.

Dezenas de professores protestam em Lisboa contra desinvestimento na educação
Dezenas de professores protestam em Lisboa contra desinvestimento na educação MIGUEL A. LOPES/LUSA

"Esta proposta do Orçamento do Estado, mais uma vez, continua a desinvestir na educação. Os problemas da educação são muitos. Temos uma escassez de professores, continuamos a ter milhares de alunos todas as semanas sem aulas, sem pelo menos um professor", disse à Lusa o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), José Costa, que convocou a concentração.

No protesto, que acontece no dia em que o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, é ouvido no parlamento no âmbito da discussão do Orçamento do Estado, os manifestantes empunham bandeiras do sindicato e gritam a "luta continua nas escolas e na rua" para exigir "um investimento efetivo na escola pública, no ensino superior e na ciência".

Para o secretário-geral da Fenprof, o problema da falta de professores é maior nas crianças do primeiro ciclo porque só têm um docente e se faltar não há outro que acompanhe a turma.

"Neste momento, há cerca de três a quatro mil alunos do primeiro ciclo, a quem falta o professor", estimou José Costa, acrescentando que esta situação resolve-se atraindo jovens para a profissão através da valorização da carreira.

O dirigente aproveitou o protesto para criticar também a proposta de alteração do decreto de lei que prevê que os professores deixem de precisar do mestrado para ensinar os alunos do primeiro ciclo, indicando que não houve uma negociação adequada entre o Governo e a Fenprof.

"O que demonstra, de facto, um desrespeito e provavelmente vamos pedir [uma] negociação suplementar", disse, explicando que o Governo pediu pareceres ao sindicato, mas a tutela comunicou hoje que a negociação estava encerrada.

A falta de resultados depois de várias reuniões para melhorar o estatuto da carreira docente é outro dos motivos de descontentamento da Fenprof.

"Já lá vão dois anos, ao fim de 15, 16 reuniões, nada acontece. Aliás, o que vem para cima da mesa não vai no sentido da valorização da carreira, antes pelo contrário", lamentou o sindicalista.

Sobre a escola pública, José Costa apontou ainda vários problemas como a degradação dos edifícios, a falta de assistentes operacionais e recursos.

A Fenprof considerou que é necessário assumir uma política de investimento público que valorize os profissionais, garanta condições de funcionamento às instituições e defenda uma escola pública de qualidade, inclusiva e democrática.

"A proposta [OE2027] continua igualmente sem dar respostas consistentes a problemas que se arrastam há anos", referiu a federação, em comunicado, exigindo "a valorização das carreiras e dos salários dos docentes, opção fundamental para combater o grave problema de escassez de professores".

No dia 09 de outubro, a Fenprof já tinha criticado o OE2027, considerando a proposta do Governo "uma farsa orçamental" que não responde às necessidades.

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