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Sócrates regressa a tribunal sem advogado e critica juíza: "A responsabilidade não é minha"

Luana Augusto 10 de setembro de 2026 às 09:34

Antigo primeiro-ministro regressou esta quinta-feira ao Campus de Justiça para prestar declarações no âmbito da Operação Marquês, e aproveitou para atacar a juíza, o Ministério Público e a comunicação social.

O antigo primeiro-ministro, José Sócrates, regressou esta quinta-feira, 10 de setembro, a tribunal no âmbito da Operação Marquês. À chegada ao Campus de Justiça, sem advogado, deixou críticas à juíza do processo.

Former Portuguese Prime Minister Jose Socrates, main defendant in the ANTÓNIO COTRIM

"No dia 14 de novembro fiquei sem advogado e a responsabilidade não é minha. O meu advogado decidiu renunciar e eu aceitei. A senhora juíza tem de perceber que não posso ser responsabilizado por isso", disse em declarações aos jornalistas.

Sócrates defendeu que tem direito a escolher o seu representante legal e a preparar adequadamente a defesa. "O cidadão tem direito a ter um advogado que ele escolhe e a ter tempo de preparação da defesa, [mas] os senhores acham que eu devo abdicar dos meus direitos."

O ex-primeiro-ministro compareceu em tribunal para prestar declarações enquanto "arguido" e sublinhou que "já ninguém fala [do crime] de corrupção" de que foi acusado.

"Enfrento há 12 anos uma acusação falsa de corrupção e agora ninguém fala em corrupção. Não restou pedra sobre pedra", afirmou.

E uma vez mais, criticou a cobertura dos jornalistas. "O processo começou no dia 1 de setembro. Já houve sessões e não houve uma única notícia porque as notícias de lá de dentro eram a meu favor", declarou.

Prosseguindo as críticas à comunicação social, considerou que para os jornalistas "é tudo igual". "O jornalismo português já normalizou tudo isto, mas isto são princípios que têm a ver com os direitos fundamentais", disse.

Acusou ainda o "jornalismo português" de querer, "tal como o sistema judicial", "transformar a presunção de inocência em presunção de culpabilidade".

Por fim, o antigo governante voltou a visar o Ministério Público, acusando-o de ter "perseguido" o juiz Ivo Rosa, que decidiu não levar Sócrates a julgamento pela maioria dos crimes de corrupção que lhe eram imputados.

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