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OE2027: JPP diz que proposta não deve implicar que Madeira esteja anualmente a "estender a mão" a Lisboa

Lusa 08 de outubro de 2026 às 22:48

Partido diz que "vai avaliar o Orçamento do Estado para 2027 não pelo número de milhões anunciado, mas pelo que esses milhões representam e, principalmente, pelo que efetivamente resolve na vida dos madeirenses".

O deputado do Juntos Pelo Povo (JPP) na Assembleia da República, Filipe Sousa, considerou esta quinta-feira que o Orçamento de Estado não pode implicar que a Madeira tenha de "estender a mão" anualmente a Lisboa para resolver os problemas dos madeirenses.

Filipe Sousa, Cabeça de lista pela Madeira, do JPP, Juntos FRANCISCO ROMÃO PEREIRA

"Autonomia financeira não pode significar que todos os anos quem governa a Madeira tenha de ir a Lisboa estender a mão, para nós tem de haver garantias, regras claras e justas consagradas preto no branco", diz o deputado único num comunicado divulgado na página do JPP:

Este partido, que é o mais representado na oposição parlamentar da Assembleia Legislativa da Madeira (ocupa 11 dos 47 lugares no hemiciclo), diz que "vai avaliar o Orçamento do Estado para 2027 não pelo número de milhões anunciado, mas pelo que esses milhões representam e, principalmente, pelo que efetivamente resolve na vida dos madeirenses".

"Uma coisa é inscrever verbas no papel. Outra, bem diferente, é resolver os problemas da Madeira e garantir aos madeirenses os mesmos direitos e oportunidades que aos restantes portugueses", afirma Filipe Sousa citado no documento.

Esta força partidária argumenta que "o JPP estará no Parlamento para fazer essa distinção e para apresentar propostas que corrijam as insuficiências do Orçamento do Estado para 2027 relativamente à Madeira".

Filipe Sousa regista as dotações tornadas públicas no OE/2027 hoje entregue em São Bento, apontando que as "transferências determinadas por lei, compensações devidas à Região (Autónoma da Madeira) ou verbas consignadas à redução da dívida não podem ser apresentadas aos madeirenses como se fossem todas dinheiro novo e livremente disponível para investimento".

O JPP refere que o OE/2027 volta "a apresentar milhões para a Madeira", salientando que "um orçamento não pode ser avaliado apenas pela grandeza dos números anunciados: tem de ser avaliado, sobretudo, pelas soluções que coloca na vida dos madeirenses,".

Filipe Sousa menciona que a proposta orçamental do atual Governo inclui verbas que serão consignadas à Madeira, estando "previstos 228,7 milhões de euros ao abrigo da Lei das Finanças Regionais, aos quais acrescem cerca de 79,9 milhões de euros de transferência excecional, destinada a compensar a Região pela ausência do Fundo de Coesão".

Também prevê uma verba de "82 milhões de euros destinada exclusivamente à redução da dívida regional, para além de verbas destinadas às áreas do emprego e da formação profissional".

A proposta e O/2027 ainda contempla autorizações relacionadas com o novo Hospital Central e Universitário da Madeira e com meios aéreos destinados à proteção civil, menciona

Mas, segundo Filipe Sousa, "nos elementos analisados, não fica definido um montante concreto para 2027 nestas duas matérias"

Ainda realça que não especifica aspetos relacionados com o Mecanismo de Continuidade Territorial e a ligação marítima de passageiros e carga rodada.

"Sobre estes dois assuntos importantes, não encontramos no Orçamento uma resposta expressa que resolva definitivamente um problema que continua a afetar milhares de madeirenses: garantir que o residente compra a sua passagem aérea pagando, desde o primeiro momento, apenas o valor final que efetivamente lhe compete e financiamento público que garante ligações marítimas com a Madeira", argumenta.

Para o deputado do JPP, "este não é um detalhe orçamental, é uma questão de continuidade territorial e de igualdade entre portugueses."

No seu entender, é "inaceitável falar de centenas de milhões de euros para a Madeira e continuar sem uma solução clara, simples e definitiva para uma matéria tão básica como o direito dos madeirenses a deslocarem-se ao território continental sem terem de financiar antecipadamente o sistema".

O deputado assegura que o JPP "continuará igualmente a defender uma revisão séria da Lei das Finanças Regionais, para que o financiamento das Regiões Autónomas assente em critérios transparentes, previsíveis e adequados aos custos permanentes da insularidade e da ultraperiferia".

O Governo entregou hoje na Assembleia da República a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), antes do prazo previsto por lei.

A proposta vai ser discutida e votada na generalidade entre 27 e 28 de outubro. A votação final global está marcada para 24 de novembro, após o processo de debate na especialidade.

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