"Não gostei do que vi": Seguro quebra o silêncio após violência em manifestações pela habitação
Presidente da República apelou ao diálogo e frisou que "lei e liberdade não são incompatíveis".
O Presidente da República, António José Seguro, quebrou o silêncio, esta terça-feira, sobre a recente intervenção policial nas manifestações pela habitação em Lisboa e no Porto. "Não gostei do que vi", garantiu Seguro, referindo-se às imagens de violência entre a polícia e os manifestantes em Lisboa. "Não são imagens normais para uma democracia", completou.
O Chefe de Estado apelou ao diálogo, que diz fazer parte da cultura portuguesa, e frisou que "lei e liberdade não são incompatíveis". "Fui eleito sob a bandeira do diálogo e estarei sempre na defesa do diálogo", afirmou.
António José Seguro esclareceu ainda que esteve, desde sábado, atento e preocupado com a violência nos protestos, por isso, convocou os partidos e o Conselho de Estado e avançou que, esta quarta-feira, vai reunir com especialistas na área da habitação. Seguro deixou ainda uma promessa: "Eu serei um garante do Estado de Direito democrático".
"Os jovens são hoje uma geração bloqueada", afirmou também o Presidente da República, que lembrou, quando questionado pelos jornalistas, que fala sobre a crise da habitação desde que tomou posse. "A habitação é um problema que precisa de ser solucionado. Ter uma casa não é só ter um tecto, faz parte de um projeto de vida. É inaceitável que a média de anos que um jovem sai de casa seja os 30 anos", disse.
O silêncio, até ao dia de hoje, de António José Seguro, já lhe valeram duras críticas por parte de outros agentes políticos e de manifestantes da causa.
Recorde-se que, na madrugada deste domingo, a PSP interveio com violência contra os manifestantes que protestavam em Lisboa e no Porto pelo direito à habitação. Perante a recusa de desmontarem tendas e desmobilizarem, a polícia avançou, acabando por ferir, pelo menos 33 pessoas. No total, 31 pessoas foram detidas nessa noite.
A ação policial tem sido alvo de contestação por associações e partidos políticos, que pedem que a atuação da PSP seja alvo de investigação.