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Manifestantes voltaram a montar tendas em Lisboa e no Porto. PSP ameaçou intervir

Luana Augusto 24 de outubro de 2026 às 23:03

O dia de sábado ficou marcado por protestos um pouco por toda a Europa. Só em Lisboa, a organização contou cerca de "25 mil egoístas" que desceram a Avenida da Liberdade para protestar contra o Governo de Montenegro. Foram erguidos cartazes, ouviu-se o "Grândola, Vila Morena" e no final, voltou-se a montar tendas, quer em Lisboa quer no Porto.

Portugal, Espanha, França, Itália ou Albânia, foram apenas alguns dos países que este sábado voltaram a ser cenário de protestos devido ao aumento do custo de vida. Em França, por exemplo, os últimos dados indicavam quase mil detenções, enquanto que em Espanha eram várias as montras de lojas partidas. Em Portugal, o cenário foi mais calmo, mas ainda assim os portugueses fizeram-se ouvir. A organização responsável falou hoje na mobilização de "25 mil egoístas" que protestaram pelo direito à habitação.

Milhares de pessoas manifestaram-se em Lisboa Martim Leitão

Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro e Faro foram palcos de demonstração do descontentamento dos portugueses. Na capital portuguesa, os protestos estavam previstos para arrancar às 15h, mas a descida da Avenida da Liberdade (um caminho que começou no Marquês de Pombal e acabou no Rossio) só começou quase uma hora depois.

A marcha arrancou, como habitualmente, ao passo de Alfredo Fernandes, que é já presença assídua neste tipo de manifestações e que este sábado carregava novamente uma bandeira de Portugal. "Há muito que sinto que o País está a andar para trás a passos largos", criticou em declarações ao canal NOW.

Durante os protestos, vários foram os gritos de indignação e cartazes erguidos contra o Governo de Luís Montenegro.

"Se soubesse tinha guardado as casas da Barbie", dizia um dos cartazes erguidos durante esta manifestação. "Querem-me em casa? Também eu", lia-se num outro. "Tem 50 imóveis e os egoístas somos nós", dizia um outro.

Não só estudantes e jovens marcaram presença nestes protestos, prometendo "pernoitar o tempo que for preciso". Também pais, avós e até mesmo alguns políticos decidiram demonstrar o seu descontentamento.

"Estamos perante um problema com uma dimensão que tem vindo a agravar-se e vemos que o Governo, em vez de tomar as medidas que se impõem, toma medidas no sentido oposto, que criam maior instabilidade", criticou João Ferreira, ex-eurodeputado do PCP e atual vereador da Câmara Municipal de Lisboa.

Já o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, criticou o silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro. "Não fala nem sobre isto nem sobre nada. Encontra-se ausente em parte incerta", referiu em declarações à RTP Notícias.  

Pelo menos em Lisboa, o dia ficou marcado por apelos para que as centrais sindicais CGTP e UGT convoquem uma greve geral ibérica para o dia 11 de novembro, juntando-se assim à vizinha Espanha.

Ainda durante a descida da Avenida da Liberdade, os manifestantes cantavam contra a inação do Executivo. "Montenegro presta atenção, as tuas casas vão virar ocupação".

À chegada ao Rossio, os manifestantes começaram a montar tendas na Praça D. Pedro IV. À noite contabilizavam-se um total de 130 tendas montadas só na capital portuguesa. Cantou-se ainda o Grândola, Vila Morena, isto num dia em que também estava prevista a atuação do rapper Valete.

No Porto, também foi aprovada em Assembleia Popular uma acampada na Praça D. João I.

O episódio levou a PSP a alertar que caso as tendas se mantivessem durante a noite que as autoridades iriam intervir, apesar de reconhecerem que tentariam recorrer primeiro ao diálogo. A Assembleia Popular de Lisboa, por sua vez, reuniu-se uma segunda-vez para planear junto dos que iriam acampar como deveriam reagir caso houvesse uma intervenção policial.

Mas lá fora o cenário foi muito mais complicado. Em França, o governo mobilizou 70 mil polícias para conter a onda de protestos nas ruas. O mesmo aconteceu em Itália, que este sábado esteve em alerta máximo.

Até ao início da tarde deste sábado tinham sido detidas 135 pessoas em França, mas pela noite contavam-se já mil detidos na sequência desta onda de protestos.

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