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Irão: Dezenas pessoas apoiam em Lisboa manifestações em Teerão e pedem liberdade

Lusa 17 de janeiro de 2026 às 16:21

A comunidade iraniana em Portugal teme um agravamento da violência.

Várias dezenas de pessoas concentraram-se este sábado à tarde pacificamente junto à Assembleia da República, em Lisboa, para apoiar os manifestantes iranianos que, em Teerão, protestam desde dezembro contra o custo de vida e pela queda do regime.
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Manifestação da comunidade iraniana em Portugal
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA
Manifestação da comunidade iraniana em Portugal
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA
Manifestação da comunidade iraniana em Portugal
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA
Manifestação da comunidade iraniana em Portugal
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA
Manifestação da comunidade iraniana em Portugal
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA
Manifestação da comunidade iraniana em Portugal
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA
Manifestação da comunidade iraniana em Portugal
Foto: ANTÓNIO PEDRO SANTOS/ LUSA
A comunidade iraniana em Portugal teme um agravamento da violência, denuncia "a repressão em curso no Irão" e defende a rutura diplomática com o regime, o reconhecimento do príncipe herdeiro Reza Pahlavi como interlocutor da transição e a classificação da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) como organização terrorista. Em declarações à agência Lusa, Roham Torabi, membro da comunidade iraniana em Portugal, disse que o povo quer "acabar com o Estado islâmico" e viver numa democracia. "Nós queremos um país democrático secular. Acho que no primeiro dia em que este regime mudar, no governo de transição, que vai ser liderado pelo príncipe Reza Pahlavi, nós vamos reconhecer Israel primeiro, e depois começar todas as relações que tínhamos antes de 1969", declarou, evocando um passado de maior abertura externa. Roham Torabi descreveu o desejo de uma transição política que devolva ao país liberdades perdidas e restabeleça relações internacionais interrompidas há décadas, afirmando que a prioridade será reconstruir pontes diplomáticas. O membro da comunidade iraniana em Portugal expressou ainda um sentimento de continuidade histórica, como se o futuro desejado tivesse sido interrompido. "Nós já tínhamos o futuro antigamente. Nós queremos voltar ao caminho que estávamos a ir. Nós queremos isso", acrescentou, sintetizando a esperança de que o país retome uma trajetória de modernização e integração global. O organizador do protesto pediu ainda que Portugal reconheça o príncipe Reza Pahlavi como líder do movimento revolucionário iraniano. Segundo Roham Torabi, a recente suspensão de atividades da Embaixada de Portugal em Teerão reforça a perceção de que as relações bilaterais estão praticamente cortadas. Debaixo de chuva, o protesto ocorre numa altura em que as autoridades iranianas têm respondido com violência aos protestos em Teerão e o líder supremo, 'ayatollah' Ali Khamenei, declarou que o Estado iria endurecer a repressão. Também Maximilien Jazani indicou que o embaixador iraniano em Portugal, Majid Tafreshi, deveria ser considerado indesejado pelo Estado português. "O que pedimos é que Portugal tenha o dever moral de declarar o embaixador do Irão como 'persona non grata'", disse. Maximilien Jazani descreveu um cenário de violência extrema no seu país, afirmando que "o que está ocorrendo no Irão é um massacre de massa, um genocídio". "É uma revolta para a troca de regime, para o fim do regime islâmico dos 'ayatollah'", afirmou, acrescentando que "Reza Pahlavi já preparou tudo para o período de transição até às eleições livres". Já Sora Moradi lembrou que o "povo iraniano está exausto" após quase cinco décadas de "religião forçada", lei da Sharia e crise económica, e que luta simplesmente "por uma vida normal". "Estamos aqui para ser a sua voz. Todo o povo iraniano quer democracia e liberdade", declarou, lamentando que é difícil prever qualquer cenário devido ao bloqueio informativo: "Hoje em dia, não podemos ver nada sobre o Irão porque está tudo fechado. A Internet foi encerrada". Ainda assim, acredita num horizonte positivo, sobretudo graças ao papel das mulheres: "O futuro é muito brilhante, especialmente para as mulheres iranianas". Sora Moradi recordou que as mulheres lutam "há quase 50 anos contra o regime islâmico", que lhes impôs restrições profundas: "Não podem escolher a sua roupa. Não podem ir a todo o lado. Não podem casar com a pessoa que desejam. Não podem fazer nada". "Às vezes, sinto-me triste com as mulheres iranianas porque elas não podem fazer nada do que querem", referiu, acrescentando que a separação entre política e religião é essencial e continua a ser o centro da luta de milhões de iranianos.
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