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Inspetor da PJ apanhado na teia do alegado espião português que trabalhava para a Rússia
Tudo começou, em fevereiro de 2025, quando a GNR comunicou à PJ uma situação que, perante os dados iniciais, ia muito além de um simples furto num quarto de hotel.
Houve um pouco de tudo no processo que investigou suspeitas de espionagem contra um jovem de 23 anos: furto num hotel, encontros na embaixada da Rússia, fugas para o Metro, manobras perigosas na estrada e até um inspetor da Judiciária que tentou ajudar um vizinho e viu-se envolvido numa teia de espionagem internacional. É uma acusação do Ministério Público, mas o enredo bem poderia ser o guião para uma série, numa qualquer plataforma de streaming: há NATO, diplomatas russos, uma detenção na Ucrânia, identidades falsas, uma loja de informática no Metro de Lisboa, dinheiro em numerário um viatura suspeita a entrar em confronto com uma caravana policial e um inspetor da Polícia Judiciária que pretende ajudar um vizinho e acaba envolvido em suspeitas de espionagem.
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Sérgio Lemos
O inspetor da PJ “colaborador"
Perseguição na Almirante Reis
Como se tudo já não fosse muito estranho, no dia 11 de fevereiro a PJ e o Ministério Público realizaram diligências de buscas e apreensões com Miguel Rodrigues e o respetivo advogado. Ao circular em Lisboa, uma viatura encostou-se demasiado a uma pequena coluna de carros da PJ que participava nas diligências. “A viatura seguia demasiado próxima”, refere o Ministério Público, do último carro da coluna e com “os quatro piscas ligados”, sendo visível na pala do passageiro “um letreiro com a inscrição ‘POLÍCIA”. “O indivíduo adotou uma condução agressiva e perigosa, tanto devido à proximidade com o dispositivo, como às manobras bruscas que realizou”, estando perto de um embate.Depois de algumas manobras, a coluna da Judiciária conseguiu despistar o perseguidor, comunicando os factos ao DIAP de Lisboa, que viria a arquivar o inquérito. Segundo informações recolhidas, o condutor seria um agente da PSP que terá dado início a um normal “picanço” no trânsito de Lisboa.
Um mundo de meias verdades
Miguel Rodrigues encontra-se, atualmente, em prisão preventiva. Durante vários meses, procurou iludir a investigação, utilizando “deliberadamente a técnica de dizer meias verdades de forma muito convicta”, porque estas “são as mais difíceis de desmontar”, anotou a acusação. Totalmente verdade foi o facto de ter sido detido, em 2023, na Ucrânia por suspeitas de espionagem. Às autoridades deste país, identificou-se como elemento do Serviço de Informações e Segurança (SIS) português, mas esta entidade negou qualquer ligação. Os crimes mais graves de que está acusado - tentativa de violação do Segredo de Estado e espionagem, também na forma tentada - só não passaram a crimes efetivos porque PJ e MP não conseguiram descortinar o conteúdo da “pen” entregue a um elemento da embaixada da Rússia, o conselheiro de embaixada Aleksandr Martianov. Porém, salientou o MP, “Só o facto” de o cidadão russo “já ter tido algum contacto anterior com o arguido justifica ter recebido pendrive. "Não é expectável que recebesse uma pendrive das mão de um total estranho”. Numa nota prévia à acusação, o DCIAP admite continuar “sem conhecer, em concreto, os contactos que o arguido teve, anteriores aos factos conhecidos, com agentes ou colaboradores da Federação da Rússia”. “Temos consciência que a factualidade apurada não corresponde, provavelmente à realidade total.”
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