Secções
Entrar

IL diz que Luís Neves está a desgastar Governo e a contaminar imagem da PJ

Lusa 25 de julho de 2026 às 21:13

A dirigente liberal reafirmou ainda que o ministro deve prestar esclarecimentos "não é no tempo que ele entende que é necessário, é no tempo mais rapidamente possível".

A presidente da Iniciativa Liberal (IL) defendeu hoje que o silêncio do ministro da Administração Interna, Luís Neves, sobre o caso que o envolve está a "desgastar o Governo" e a "contaminar" a imagem da Polícia Judiciária (PJ).

Mariana Leitão, líder da IL Lusa

"Acho que o senhor ministro ainda não percebeu que os portugueses não estão nada tranquilos com esta situação", afirmou Mariana Leitão, que reagia ao facto de Luís Neves se ter recusado novamente a prestar declarações sobre as polémicas que o envolvem.

Segundo a presidente da IL, que falava aos jornalistas durante uma visita à Feira de Santiago, em Setúbal, cada dia que passa em que o ministro Luís Neves se mantém em silêncio "é mais um dia em que está a desgastar o Governo, está a desgastar-se a ele próprio, mas está também a pôr em causa outras instituições, nomeadamente a Polícia Judiciária".

A dirigente liberal reafirmou ainda que o ministro deve prestar esclarecimentos "não é no tempo que ele entende que é necessário, é no tempo mais rapidamente possível".

Questionada sobre a forma como interpreta o silêncio do ministro, respondeu que o problema são "as consequências que esse silêncio está a ter", que considerou "bastante nocivas".

Confrontada com declarações da ministra da Justiça, que afirmou hoje que Luís Neves está a lidar com a situação "da melhor forma possível", a líder da IL reafirmou que "a cada dia que passa, o silêncio [do ministro] tem estado a contaminar o Governo e a contaminar a Polícia Judiciária", considerando que Rita Alarcão Júdice deveria ter consciência de que a credibilidade da PJ está a ser colocada em causa.

A polémica relacionada com o ministro da Administração Interna teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira a empresa Construbarcelos, anteriormente responsável por obras na PJ, quando Luís Neves era diretor nacional da instituição.

Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.

Na sexta-feira da semana passada, a Polícia Judiciária anunciou que abriu um inquérito sobre um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos.

No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou "a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'".

Sobre o inquérito da PJ, a direção nacional desta polícia explicou, em comunicado, que "teve conhecimento de que uma galera apreendida, no âmbito de um inquérito relacionado com o tráfico de estupefacientes, havia sido movimentada e parqueada em Barcelos".

A IL apresentou na sexta-feira um requerimento para a realização de uma comissão permanente da Assembleia da República, com o objetivo de ouvir Luís Neves, considerando que não deverá existir oposição dos restantes partidos, uma vez que "todos falam na importância do escrutínio, na importância da transparência e na importância dos esclarecimentos".

Na visita à Feira de Santiago, Mariana Leitão abordou também o recente processo digital de avaliação dos exames nacionais do ensino secundário, que registou várias falhas técnicas.

A dirigente liberal disse esperar que os alunos prejudicados por problemas ocorridos nos exames nacionais fiquem isentos do pagamento da taxa de reapreciação das provas.

"É importante que todos os alunos que de alguma forma tenham sido prejudicados pela forma como o processo decorreu não tenham de pagar essa taxa", afirmou.

Quanto à possibilidade de se alterar o calendário das candidaturas ao ensino superior, Mariana Leitão considerou que a situação deve ser avaliada em função do desenrolar da segunda fase dos exames, mas admitiu um eventual alargamento dos prazos.

A época da 1.ª fase de exames foi marcada por polémicas na classificação das provas, com casos em que as notas foram alteradas por falhas do processo ou com a afixação de pautas com erros que originaram classificações em suspenso ou incorretas.

Artigos recomendados
As mais lidas