Centenas de pessoas marcham em Lisboa para assinalar 35 anos de independência da Ucrânia
A marcha, que começou no Parque Eduardo VII, reuniu ucranianos e portugueses.
Cerca de 500 pessoas marcharam este domingo em Lisboa para assinalar os 35 anos da proclamação da independência da Ucrânia, num momento em que o conflito com a Rússia tem vitimado cada vez mais civis.
A marcha, que começou no Parque Eduardo VII e continuou em direção à Praça do Comércio, reuniu ucranianos e portugueses que, juntos, assinalaram a independência do país invadido por Moscovo em fevereiro de 2022, data que se celebra oficialmente na segunda-feira.
O presidente da Associação dos Ucranianos em Portugal, Pavlo Sadhoka, que dinamizou a marcha, disse que a manifestação procura chamar a atenção para o "inverno difícil" que se avizinha na Ucrânia e para sublinhar a importância de terminar a guerra.
"Queremos chamar a atenção aos países europeus, aos políticos de Portugal, à sociedade portuguesa, para dar o máximo de apoio este ano para terminar, ou tentar terminar esta guerra com pressão ao regime do [Presidente russo Vladimir] Putin, ou então dar tudo pela Ucrânia, para os ucranianos conseguirem sobreviver", sublinhou.
Além dos apelos, Pavlo Sadhoka fez questão de agradecer a "todos os portugueses" que continuam a apoiar Kiev.
"É muito importante saber que não estamos sozinhos, que estamos apoiados", acrescentou.
Os manifestantes agitavam dezenas de bandeiras da Ucrânia e empunhavam também cartazes com as frases "Obrigado Portugal".
Foram também organizadas marchas nas cidades do Funchal, Faro e Porto, todas promovidas pela Associação dos Ucranianos em Portugal, precisamente para expressar "gratidão aos portugueses", mas também para "apelar novamente ao apoio na defesa contra a agressão russa e os regimes totalitários que a sustentam".
"Estas organizações de ucranianos aqui em Portugal são muito importantes para nós sentirmos o carinho, o calor daquelas pessoas que estão a passar pelo mesmo", disse Lyubov Sikaylo.
A professora de 28 anos explicou que tem "muita família" na Ucrânia, perto da capital, Kiev, e que, apesar de ainda não terem sido afetados pelos bombardeamentos russos, não estão seguros.
"Não há zonas seguras, ainda por cima agora devido aos muitos mísseis balísticos [russos]. Não temos defesa aérea para combater os mísseis balísticos", indicou.
A Ucrânia tem enfrentado uma escassez de mísseis para os sistemas norte-americanos Patriot e apesar dos pedidos reiterados do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, os Estados Unidos não venderam mais armamento deste tipo a Kiev devido à guerra com o Irão.
Para os amigos Denys Kilodinskyi e Oleksandra Merinova, que abandonaram Odessa devido à guerra, Portugal tem sido um refúgio, ainda que tenha sido difícil abandonar a Ucrânia.
"Foi muito difícil sair de casa, mas aqui encontramos algumas parecenças com os portuguesas. Eu acho que nós somos muito parecidos e a comida e o clima também nos fazem um pouco mais felizes do que antes", disse Oleksandra Merinova, que trabalha como consultora em hotelaria.
"Odessa é uma cidade que está sob ataque o tempo todo, de manhã até a noite, todos os dias. Ontem [sábado] tiveram 38 drones e 10 ou 12 mísseis cruzando a cidade. Não é uma zona de guerra, apenas tem prédios residenciais", acrescentou.
Celebrar 35 anos de independência é, para Denys Kilodinskyi, uma "sensação muito estranha", porque embora seja positivo estar em contacto com a comunidade ucraniana em Lisboa, a realidade no país continua a ser de guerra constante.
"De qualquer forma, nós estamos a tentar fazer o que podemos fazer, todos os dias, todos os meses, todos os anos, tentamos nos apoiar uns aos outros, esse é o nosso poder", acrescentou o ucraniano de 42 anos que abandonou Odessa há menos de um ano.
A Associação de Ucranianos em Portugal é uma organização importante para os ucranianos, segundo Lyubov Sikaylo, que sublinhou a importância da entreajuda entre os membros.
"Nós estamos aqui em Portugal, tentamos viver a nossa vida normal, exercer as nossas profissões, mas é muito importante estarmos em contacto com pessoas que vivem e que passam pelos mesmos sentimentos. Não há ninguém que nos perceba melhor do que aqueles que vivem a mesma coisa que nós vivemos com as nossas famílias lá na Ucrânia", acrescentou.