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APAV apoiou mais de 18.500 vítimas em 2025, maioria por violência doméstica

Lusa 19 de fevereiro de 2026 às 07:15

O perfil geral da vítima é mulher (75,5%), idade média de 37 anos, que procurou ajuda por crimes de violência doméstica (75,7%).

O número de pessoas ajudadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) aumentou quase 42% nos últimos seis anos, ultrapassando as 18.500 vítimas só em 2025, a maioria por crimes de violência doméstica.
Mulher sentada no chão, vítima de violência uchar/iStockphoto
Os dados da APAV, divulgados a propósito do Dia Europeu da Vítima de Crime, que se assinala em 22 de fevereiro, mostram uma evolução crescente no número de pessoas apoiadas desde 2020, ano em que ajudaram 13.093 pessoas. O número total aumentou para 13.234 no ano seguinte, subindo novamente para 14.688 em 2022, 16.185 em 2023 e chegando às 16.630 em 2024. Daqui para 2025, registou-se um crescimento de 11,5%. Na opinião da APAV, este aumento no número de pessoas que recorre à instituição é explicado não só com a "abrangência dos serviços" da associação, mas também com o crescimento de algumas formas de criminalidade, sobretudo violência doméstica. De acordo com Carla Ferreira, assessora técnica da direção da APAV, em comparação com 2024, o número de crimes reportados em contexto de violência doméstica aumentou 10%, ainda que no total de crimes, o peso da violência doméstica tenha diminuído cerca de 2%. Os dados da APAV mostram que às mais de 18.500 vítimas apoiadas em 2025 correspondem 35.341 crimes e outras formas de violência, o que representa um aumento de 13,1% face a 2024. Dentro dos mais de 35.300 crimes estão 26.124 denúncias por violência doméstica, o que representa 73,9% do total de crimes.
Além da violência doméstica, a APAV registou também 1.076 casos de conteúdo de abuso sexual de menores, 889 ofensas à integridade física, 864 casos de abuso sexual de menores, 858 denúncias por coação ou ameaça, 662 por difamação, 576 por discriminação ou incitamento ao ódio, 539 burlas, 239 casos de perseguição e 232 violações de pessoas adultas. O perfil geral da vítima é mulher (75,5%), idade média de 37 anos, que procurou ajuda por crimes de violência doméstica (75,7%). As 18.549 vítimas registadas em 2025 significam, em média, que a APAV apoiou 357 pessoas por semana, 51 por dia e duas por hora. Fazendo uma análise por grupos, o perfil da pessoa idosa vítima mostra também que é mulher, com 76 anos, cujo agressor são os filhos ou o cônjuge, e procura ajuda sobretudo por violência doméstica (81,2%). No total, a APAV ajudou 2.017 pessoas idosas em 2025. Relativamente a crianças e jovens, mais de metade (58,1%) são do género feminino, com uma média de idades de 10 anos, cujos agressores são os progenitores ou os padrastos, e são vítimas não só de violência doméstica (60,4%), mas também filmadas para conteúdo de abuso sexual (14,5%) Nos homens adultos, a média de idade é de 48 anos, vitimas de crime de violência doméstica (65,5%), cujo agressor se divide entre cônjuge (12,7%) e filhos (9,7%), tendo a APAV registado seis casos por dia. Nas mulheres adultas, a média de idades é de 45 anos, vítimas de violência doméstica (85,8%) às mãos de cônjuges (20%) ou ex-companheiros (14,2%). A APAV apoiou 10.327 em 2025, o que representa uma média de 28 mulheres por dia.
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