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Albuquerque diz que imigrantes continuarão a ser acolhidos com "toda a humanidade" na Madeira

Lusa 23 de julho de 2026 às 12:48

Presidente do Governo Regional da Madeira alertou para o perigo do discurso xenófobo em Portugal.

O presidente do Governo Regional da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, alertou esta quinta-feria para o perigo do discurso xenófobo em Portugal e garantiu que a região autónoma continuará a acolher e a tratar os imigrantes com "toda a humanidade".

Miguel Albuquerque, líder do PSD/Madeir Lusa

"A política do Governo Regional é absolutamente contra algumas tendências, que estão a emergir na sociedade portuguesa e na Europa, de agitar novamente a xenofobia e o racismo", disse, sublinhando que se trata de um discurso que "puxa pelo que de pior tem o ser humano".

Miguel Albuquerque, também líder da estrutura regional do PSD, falava na abertura do Fórum Madeira Global, no Funchal, que conta com a participação de mais de 450 conferencistas provenientes das comunidades madeirenses espalhadas por vários países em todo o mundo.

A "reunião magna" da diáspora madeirense decorre sob o tema "Raízes de Identidade, Pontes para o Futuro", num ano em que se assinala o 50.º aniversário da autonomia da Madeira e os 10 anos do Fórum Madeira Global.

"Nós temos de ter a noção de que não há nenhum madeirense que não tenha tido um familiar emigrado", disse.

Por isso, Miguel Albuquerque classificou o "novo discurso xenófobo" em Portugal como uma "vergonha", embora defenda que a imigração deve ser controlada, para assegurar condições dignas de trabalho, habitação e sanidade a quem vier para o país.

"Agora, [este controlo] não pode assentar num discurso que faz do imigrante o bode expiatório das taras e dos preconceitos que afetam algumas pessoas", disse, para logo reforçar: "Se as pessoas estão mal, ou vão ao psiquiatra, ou trabalham mais para alcançarem aquilo que querem. Não é utilizando os imigrantes para resolver os problemas eleitorais e políticos."

O chefe do executivo regional realçou que "a Madeira continuará a acolher e a tratar os seus imigrantes com toda a humanidade" e, por outro lado, defendeu que Portugal devia promover uma "política em rede", considerando que se trata de uma "nação pluricontinental", com emigrantes em todos os continentes.

"Essa rede é fundamental para a afirmação de Portugal como potência média no mundo", sustentou, argumentando que Portugal não é um país continental, mas atlântico e arquipelágico, sendo que a diáspora lhe dá uma "dimensão cosmopolita essencial para a sua afirmação geopolítica".

Na sessão de abertura do Fórum Madeira Global, foi entregue a Condecoração Madeira Global, uma nova distinção criada pelo Governo Regional para reconhecer cidadãos, instituições ou coletividades da diáspora que se tenham destacado pelo contributo para a promoção da identidade madeirense, pelo apoio às comunidades, pela criação de oportunidades para os madeirenses, pelo investimento na região ou pela ação de solidariedade.

Nesta primeira edição foram distinguidos José Luís Silva, a título póstumo, figura de referência da comunidade portuguesa e madeirense na África do Sul, e os empresários João de Jesus Marques Luís, radicado no Reino Unido, e Felisberto Camacho, da Venezuela.

O programa do Fórum Madeira Global inclui o lançamento, hoje às 16:00, dos volumes II e III do Dicionário Enciclopédico da Madeira, coordenado pelo professor Eduardo Franco.

Na sexta-feira, realiza-se a reunião do Conselho da Diáspora Madeirense, às 10:00, no Salão Nobre do Palácio do Governo Regional, no Funchal, um encontro reservado aos conselheiros representantes das comunidades madeirenses no exterior.

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