Rui Hortelão Director da SÁBADO
16 de março de 2017

Sócrates: o que podem valer as suspeitas sobre a PT

A acusação do Ministério Público não é uma sentença. Mas o seu conteúdo permitirá formar uma opinião mais sustentada entre o que foi investigado, o que até pode ser verdade e o que, na realidade, tem condições para ser provado em tribunal

Na acusação do Ministério Público contra os envolvidos no mais importante processo judicial português da nossa jovem Democracia não está em causa apenas a inocência ou culpabilidade dos arguidos, está também a própria Justiça e, por consequência directa, o País. Nem podia ser de outra maneira, tendo em conta os nomes de alguns dos implicados, a inédita prisão de um ex-primeiro-ministro, a gravidade das suspeitas que já são conhecidas e os longos meses de dúvida. 

A acusação do Ministério Público não é uma sentença. Mas o seu conteúdo permitirá formar uma opinião mais sustentada entre o que foi investigado, o que até pode ser verdade e o que, na realidade, tem condições para ser provado em tribunal. Nomeadamente, sobre tudo o que envolve a PT, a empresa com a qual parecem estar relacionadas as principais suspeitas de corrupção que visam José Sócrates. Perceber como e porquê circularam os milhões identificados pela investigação é também compreender o que aconteceu à maior empresa portuguesa, que embora com a maioria do capital entregue a privados tinha, à época, o Estado como accionista de referência.

A matéria de prova relacionada com a PT surge, assim, na Operação Marquês como uma espécie de fiel da balança decisivo: se o Ministério Público for capaz de provar que as cumplicidades entre PT, BES e os amigos de José Sócrates tiveram este último como beneficiário, o ex-primeiro-ministro estará em maus lençóis. Se, pelo contrário, os investigadores falharem esse propósito, o mais provável é que as principais suspeitas de corrupção caiam por terra. E, se assim for, é grande parte do processo que fica em risco, reduzindo as probabilidades de condenação à fraude qualificada e ao branqueamento de capitais, igualmente difíceis de sustentar se o Ministério Público for incapaz de provar que o dinheiro era mesmo de Sócrates.

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