O homem mais rico diz que o dinheiro vai deixar de contar
O dinheiro "vai deixar de contar", antecipa o homem mais rico do mundo. Se Elon Musk o diz, não devemos ignorar. Mas calma: ele perdeu metade do que valia em apenas mês e meio. Não é infalível. É bem mais falível do que muitos fantasiam. Já Zelensky, apesar da falha na crise Fedorov, dá mostras de ser mesmo o último grande líder do nosso tempo. E Trump? Tenham juízo
A parte mais destacada da longa e contraditória entrevista de Elon Musk a Zanny Minton Bedoes, no podcast da "The Economist" - por vezes estimulante, outras irritante - foi, naturalmente, o "soundbyte" de dizer que "dentro de cinco, máximo dez anos" os robôs vão mandar em nós, humanos. Desgraçados, teremos que nos resignar com isso. Ninguém pode dizer que sabe, ao certo, se Musk vai acertar ou não. Mas o recordar do passado ajuda-nos a pôr as coisas em perspetiva: geralmente, os anúncios mais catastrofistas falham por não anteciparem a incrível capacidade que temos de nos adaptarmos ao risco e ao inesperado. Não estou a desvalorizar a ameaça da IA. Mas vale a pena ter em conta as sentenças anteriores que Musk falhou nos últimos anos. Achei mais relevante o que o ex-líder do DOGE e o homem mais rico do mundo disse nessa conversa sobre o futuro do dinheiro: "Vai deixar de interessar. De nada valerá numa era de hiperabundância, em que robôs e IA produzam bens e serviços em quantidades que não conseguiremos consumir". Já me parece uma reflexão mais interessante de desenvolver. Ah! E ainda sobre isso de ser "o homem mais rico do mundo". Com a incrível desvalorização da SpaceX pós IPO (passou de maior operação de sempre para maior desvalorização em 45 dias), Musk perdeu metade da sua fortuna em cinco semanas: a 16 de junho, Elon valia 1.45T (1,45 biliões de dólares), no final de julho passou a valer "apenas" (pôr mesmo muitas aspas) coisa como 725 mil milhões. Deixou de ser trilionário em mês e meio, coitado.
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