Choque político com o comportamento de José Sócrates? Não se vê. Poder e oposição, partidos em geral e protagonistas em particular não têm um discurso, uma posição, sobre o mais extraordinário caso judicial deste século em Portugal.
Primeiro,
foram os recursos para tribunais superiores, que, diz a mais recente
contabilidade, chegaram aos 134, o que, se a categoria constasse do Guinness,
dariam recorde. Ao longo deste verdadeiro festim recursivo, só muito tarde a
justiça arranjou forma de contrariar a questão. Tinham passado anos. Podemos criticar a justiça, claro, lenta, a ser anos a fio ridicularizada em recursos. Mas pelo menos reagiu. Mas as leis que permitiram a Sócrates
este comportamento foram feitas e são mantidas pela classe política.
E, embora a comunicação social e o comentariado nacional nunca tivessem deixado
de dar atenção a Sócrates, nunca a classe política, o PS no governo primeiro, o
PSD desde há dois anos, se lembrou de, sim, comentar, sim, criticar e sim, agir,
no sentido de evitar o carrossel, como foi batizado, de recursos. A
justificação de que para o PS o tema é tóxico percebe-se mas não se aceita: o
tema é demasiado importante para ser tabu em política. E também se percebe, mas
não se aceita, que ‘não se legisla sobre casos concretos’, não só porque o dito
caso concreto tem 11 anos (fica-se 11 anos inibido de refletir, agir, mudar?), mas
também porque está a deixar de ser um ‘caso concreto’, passou a tratado abrangente
sobre as muitas falhas garantísticas do sistema. Perante um caso que mostra que
o sistema de justiça vai nu, o que fazem os partidos de poder? Fingem não ver a
nudez. Nada têm a dizer sobre ela, muito menos agir.
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