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Gonçalo Capitão Deputado do PSD
07.04.2026

Ignorar ou não ignorar, eis a questão (do grande problema ao homenzinho ridículo)

Nos duelos privados, ignorar é a melhor resposta para os anónimos intelectualmente subdesenvolvidos que buscam crescer à custa das pessoas “a sério”. Já no plano partidário, o desafio deve ser travado e com as regras democráticas, porque são elas mesmas que estão em causa.

O dilema político com que mais me confrontam tem a ver com o destaque ou a omissão com que devemos brindar os fenómenos populistas. No caso português falamos, obviamente, de André Ventura e seus seguidores acríticos, fenómeno também conhecido por Chega.

Uma ilação de que, cada vez mais, me convenço está ínsita na formulação anterior: podemos atingir os demais, que outros renascerão como cogumelos na floresta; só derrotar Ventura abalará decisivamente o partido…

Mesmo com uma infindável sucessão de escândalos (independentemente do desfecho ou sua ausência) – vai desde abuso de menores a furto de malas e de furto (algo em que parece haver mestria) de esmolas ao caso do político que anteriormente terá dito não ter bens para pagar uma dívida – os números mostram que a cortina de fumo gerada pela demagogia talentosa de Ventura é suficiente para manter a coisa em níveis preocupantes para os que prezam a democracia (que é, por seu turno, muito mais do que o acto de votar).

Estabelecido o alvo (pacifica e democraticamente, sublinho), entremos, sem mais delongas, no tema. Creio que nada na História aponta algo de bom a contemporizar e tentar conviver bem com estas opções ditas de extrema-direita (os próprios enjeitam a categorização, segundo o mais acintoso dos seus deputados, numa emissão televisiva recente). Assobiámos para o lado com Órban e só depois de muitas agruras há esboço de reacção eleitoral (entretanto este foi minando a informação livre para se perpetuar). Achámos “giro” ter os irmãos Kaczynski ao leme da Polónia e não me parece que a democracia (repito: que não se resume ao acto de votar) tenha saído em ombros. E, enquanto Meloni já abriu o melão político e vimos que afinal os imigrantes lhe fazem falta (os discípulos cá do burgo ignoraram olimpicamente as declarações em causa, note), não sabemos o que trariam vitórias nacionais de Bardela e da madrinha Marine Le Pen ou da Alternativa para a Alemanha (AfD).

O problema de ignorar estes fenómenos e eventuais aberrações deles decorrentes é que eles não são estáticos. A mais de tentarem impor uma agenda tantas vezes tóxica e perigosa, vão tentar deitar fora a chave da porta por onde entraram, para evitar que outros os desalojem. Nomeações para tribunais superiores, magistraturas e outros cargos de charneira; domínio da comunicação social e limitação das redes; alteração de leis essenciais (havendo maioria bastante, até no plano eleitoral) e “por aí fora”… Usar o voto como protesto e apoiar populistas pode transformar o protesto em veto à própria democracia.

Creio, por isso, que o melhor é, politicamente falando, embater de frente, demonstrando a mentira, o irrealismo, a impreparação e a falta de apreço pela liberdade alheia e pelo trato cordial (estes dois últimos apenas seriam garantidos aos seguidores que não ousassem pensar, depois de uma vitória). Não é com petições que busquem ilegalizar tais partidos que os venceremos. Qual infiltração ou praga, se taparmos os sinais visíveis sem resolver o problema de raiz, o populismo ressurge por outro lado e com outro “nome comercial”. Comunicando modernamente e com eficácia e actuando sem medos, a vitória duradoura deve ser alcançada “à luz do dia” e com a arma mais letal: o voto ponderado.

Já nos casos pessoais deve ser aplicada fórmula contrária ao populista do “nosso bairro”. Neste caso não estamos a jogar com regras democráticas, mas apenas com falta de urbanidade e de respeito, na maioria das vezes. E, para que não se sinta mal, passa a todos, acredite!

Veja o meu caso, se julga que alguém está imune aos novos “donos da verdade”: se a maioria dos eleitos do Chega mantém um trato cordial no dia-a-dia (ou seja, fora dos debates em plenário), existe uma criatura que, ademais de comentários acintosos em publicações, ganhou o gosto por soltar provocações em movimento, bem ao estilo de mordida no calcanhar entre “rosnadelas”.

O que fazer?! Confrontar directamente, como advoguei em relação partido?! Nada disso… Se um homem com aspecto patético e telhados de vidro se atreve a sair da toca, é porque está disposto a descer a um nível muito mais lamacento do que aquele a que baixará uma pessoa que recebeu educação em casa (algo que é independente do nível de bem-estar económico; às vezes, das famílias mais humildes brotam os cidadãos mais educados).

Haveria, depois, a hipótese mais apreciada por este estilo de arruaceiro de beco; dar-lhe os açoites que merece (e que talvez subconscientemente deseje). Em primeiro lugar, a força apaga a razão e nunca deve ser a resposta nestes casos. Depois, seguramente, viria a vitimização e a vitória do desqualificado. Em terceiro e último lugar, considere a higiene das suas mãos…

Em conclusão, nos duelos privados, ignorar é a melhor resposta para os anónimos intelectualmente subdesenvolvidos que buscam crescer à custa das pessoas “a sério”. Já no plano partidário, o desafio deve ser travado e com as regras democráticas, porque são elas mesmas que estão em causa.

Dito de outra forma: onde há regras estimáveis, lutemos por elas. Onde não há, tentemos implantá-las ou viver por elas.

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