Ignorar ou não ignorar, eis a questão (do grande problema ao homenzinho ridículo)
Nos duelos privados, ignorar é a melhor resposta para os anónimos intelectualmente subdesenvolvidos que buscam crescer à custa das pessoas “a sério”. Já no plano partidário, o desafio deve ser travado e com as regras democráticas, por são elas mesmas que estão em causa.
O dilema político com que mais me confrontam tem a ver com o destaque ou a omissão com que devemos brindar os fenómenos populistas. No caso português falamos, obviamente, de André Ventura e seus seguidores acríticos, fenómeno também conhecido por Chega.
Uma ilação de que, cada vez mais, me convenço está ínsita na formulação anterior: podemos atingir os demais, que outros renascerão como cogumelos na floresta; só derrotar Ventura abalará decisivamente o partido…
Mesmo com uma infindável sucessão de escândalos (independentemente do desfecho ou sua ausência) – vai desde abuso de menores a furto de malas e de furto (algo em que parece haver mestria) de esmolas ao caso do político que anteriormente terá dito não ter bens para pagar uma dívida – os números mostram que a cortina de fumo gerada pela demagogia talentosa de Ventura é suficiente para manter a coisa em níveis preocupantes para os que prezam a democracia (que é, por seu turno, muito mais do que o acto de votar).
Estabelecido o alvo (pacifica e democraticamente, sublinho), entremos, sem mais delongas, no tema. Creio que nada na História aponta algo de bom a contemporizar e tentar conviver bem com estas opções ditas de extrema-direita (os próprios enjeitam a categorização, segundo o mais acintoso dos seus deputados, numa emissão televisiva recente). Assobiámos para o lado com Órban e só depois de muitas agruras há esboço de reacção eleitoral (entretanto este foi minando a informação livre para se perpetuar). Achámos “giro” ter os irmãos Kaczynski ao leme da Polónia e não me parece que a democracia (repito: que não se resume ao acto de votar) tenha saído em ombros. E, enquanto Meloni já abriu o melão político e vimos que afinal os imigrantes lhe fazem falta (os discípulos cá do burgo ignoraram olimpicamente as declarações em causa, note), não sabemos o que trariam vitórias nacionais de Bardela e da madrinha Marine Le Pen ou da Alternativa para a Alemanha (AfD).
O problema de ignorar estes fenómenos e eventuais aberrações deles decorrentes é que eles não são estáticos. A mais de tentarem impor uma agenda tantas vezes tóxica e perigosa, vão tentar deitar fora a chave da porta por onde entraram, para evitar que outros os desalojem. Nomeações para tribunais superiores, magistraturas e outros cargos de charneira; domínio da comunicação social e limitação das redes; alteração de leis essenciais (havendo maioria bastante, até no plano eleitoral) e “por aí fora”… Usar o voto como protesto e apoiar populistas pode transformar o protesto em veto à própria democracia.
Creio, por isso, que o melhor é, politicamente falando, embater de frente, demonstrando a mentira, o irrealismo, a impreparação e a falta de apreço pela liberdade alheia e pelo trato cordial (estes dois últimos apenas seriam garantidos aos seguidores que não ousassem pensar, depois de uma vitória). Não é com petições que busquem ilegalizar tais partidos que os venceremos. Qual infiltração ou praga, se taparmos os sinais visíveis sem resolver o problema de raiz, o populismo ressurge por outro lado e com outro “nome comercial”. Comunicando modernamente e com eficácia e actuando sem medos, a vitória duradoura deve ser alcançada “à luz do dia” e com a arma mais letal: o voto ponderado.
Já nos casos pessoais deve ser aplicada fórmula contrária ao populista do “nosso bairro”. Neste caso não estamos a jogar com regras democráticas, mas apenas com falta de urbanidade e de respeito, na maioria das vezes. E, para que não se sinta mal, passa a todos, acredite!
Veja o meu caso, se julga que alguém está imune aos novos “donos da verdade”: se a maioria dos eleitos do Chega mantém um trato cordial no dia-a-dia (ou seja, fora dos debates em plenário), existe uma criatura que, ademais de comentários acintosos em publicações, ganhou o gosto por soltar provocações em movimento, bem ao estilo de mordida no calcanhar entre “rosnadelas”.
O que fazer?! Confrontar directamente, como advoguei em relação partido?! Nada disso… Se um homem com aspecto patético e telhados de vidro se atreve a sair da toca, é porque está disposto a descer a um nível muito mais lamacento do que aquele a que baixará uma pessoa que recebeu educação em casa (algo que é independente do nível de bem-estar económico; às vezes, das famílias mais humildes brotam os cidadãos mais educados).
Haveria, depois, a hipótese mais apreciada por este estilo de arruaceiro de beco; dar-lhe os açoites que merece (e que talvez subconscientemente deseje). Em primeiro lugar, a força apaga a razão e nunca deve ser a resposta nestes casos. Depois, seguramente, viria a vitimização e a vitória do desqualificado. Em terceiro e último lugar, considere a higiene das suas mãos…
Em conclusão, nos duelos privados, ignorar é a melhor resposta para os anónimos intelectualmente subdesenvolvidos que buscam crescer à custa das pessoas “a sério”. Já no plano partidário, o desafio deve ser travado e com as regras democráticas, por são elas mesmas que estão em causa.
Dito de outra forma: onde há regras estimáveis, lutemos por elas. Onde não há, tentemos implantá-las ou viver por elas.
Ignorar ou não ignorar, eis a questão (do grande problema ao homenzinho ridículo)
Nos duelos privados, ignorar é a melhor resposta para os anónimos intelectualmente subdesenvolvidos que buscam crescer à custa das pessoas “a sério”. Já no plano partidário, o desafio deve ser travado e com as regras democráticas, por são elas mesmas que estão em causa.
Baralho o vulgar e o intelectual
Aqui chegados, noto algo que submeto agora ao crivo do Leitor: a mais das guerras e dos seus efeitos directos e indirectos e de proclamações do clube dos populistas vivos, as outras causas que cativam a atenção dos media e de quem publica nas redes sociais raramente são as moderadas.
Murais
Teresa Morais logrou algo de ganho imediato: fazer cair a nova máscara de André Ventura. Desde as eleições presidenciais que o “grande líder da direita” tentava criar uma nova persona ou mudar de maquilhagem para conservar o eleitorado moderado que granjeou na segunda volta das eleições presidenciais.
O Bom, o Mau e o Capitão
Os meus “fregueses” preferidos, além de uma berraria insana (que traduz, salvo melhor opinião, a ausência de algo inteligente para dizerem), acusam-me de fazer stand-up comedy. Ora, desprovido que sou do muito talento que requer a actividade circense, fico-me pela acusação de fazer comédia.
12 garrafas depois
Apesar da demagogia de carregar garrafas de água e de haver dúvidas sobre a genuinidade da quantidade de precipitação que aparece num dos vídeos em que Ventura se “transveste” de Super Homem, Seguro venceu em toda as zonas atingidas pelas tormentas.
Edições do Dia
Boas leituras!