Absolver o culpado
Carla Oliveira
22 de julho

Absolver o culpado

Nunca deixo de me perguntar se o cidadão comum tem a noção de como se chega a uma condenação ou a uma absolvição.

Nada revolta mais a sociedade do que a absolvição de um "culpado", sobretudo se em causa está um dos ditos crimes graves. A indignação é geral, os comentários dos supostos especialistas – no fundo todos aqueles que lêem e ouvem notícias –  são unânimes e a sua fúria dirige-se, sempre, aos juízes. São estes, "aqueles malandros", que nada fazem, que vivem rodeados de privilégios e que decidem como querem, de forma arbitrária, sem pensarem em ninguém e sem terem sequer em consideração o que é a justiça. Nunca condenam "os importantes" nem os grandes criminosos mas são implacáveis e nada perdoam aos cidadãos cumpridores que têm um pequeno deslize.

Nunca deixo de me perguntar se o cidadão comum tem a noção de como se chega a uma condenação ou a uma absolvição.

Antes de mais é importante perceber que crime não é tudo aquilo que não nos parece lá muito bem e que não está certo. Crime é aquilo que a lei qualifica como tal. E, nem todas as condutas contrárias a princípios morais ou éticos integram a prática de um crime. Assim, nem tudo o que é noticiado e que gera incómodo, censura social ou mesmo indignação é crime.

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