Ordens para calar
Ana Rita Cavaco
11 de outubro

Ordens para calar

O que incomoda os adversários das Ordens Profissionais é a sua independência e liberdade. O facto de não dependermos do erário público e não nos prestarmos ao beija-mão, faz crescer a angústia de um certo poder.

Há quem escolha sempre as melhores alturas para desviar as atenções daquilo que realmente importa. Em vésperas de começarmos a discutir o Orçamento do Estado, a bancada socialista decidiu que o que realmente importa é mexer nas competências das Ordens Profissionais. Depois de toda a cooperação desenvolvida durante a pandemia entre Ordem e Governo, estranho que a bancada que apoia o Executivo tenha sido
inundada com tantas dúvidas sobre o papel que desempenhamos.

O PS sempre lidou muito mal com quem tem pensamento próprio e insiste em não ir com a corrente. Basta olharmos para a história dos últimos anos, durante os quais até uma sindicância fomos obrigados a enfrentar, para perceber que este Governo irrita-se bastante com as denúncias das ordens profissionais, nomeadamente aquelas que, como as nossas, colocam a nu as fragilidades de um SNS historicamente subfinanciado e desvalorizado.

O que incomoda os adversários das Ordens Profissionais é a sua independência e liberdade. O facto de não dependermos do erário público e não nos prestarmos ao beija-mão, faz crescer a angústia de um certo poder em relação a reguladores verdadeiramente livres. Aqui ninguém é nomeado com a ajuda de cartões partidários ou com o precioso empurrão das ligações familiares.

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