Assinala-se esta quarta-feira o terceiro ano desde o ataque levado a cabo pelo Hamas que desencadeou a guerra.
O conflito entre Israel e a Palestina tem décadas, mas foi há três anos, a 7 de outubro de 2023, que um ataque do Hamas desencadeou a escalada da violência a que temos vindo a assistir. Registam-se mais de 70 mil mortes e um nível de destruição crescente, no que a Organização das Nações Unidas (ONU) considera ser um genocídio levado a cabo por Israel. O apuramento de dados sobre o conflito é complexo já que os meios de comunicação também foram afetados e muita da informação vem das partes envolvidas no conflito, mas a SÁBADO reuniu alguns dos principais números conhecidos que caracterizam os últimos três anos na Faixa de Gaza.
Luto em Gaza: corpos cobertos com bandeiras palestinianasAP
74.018 mortes
Desde 7 de outubro de 2023, registam-se 74.018 mortes na Palestina, de acordo com o balanço de 29 de setembro da agência palestiniana WAFA. A 10 de outubro de 2025, foi acordado um cessar-fogo, mas, desde então, mais 1.400 palestinianos morreram.
175.079 feridos
Segundo a WAFA, os ataques já deixaram 175.079 pessoas feridas.
1.8 milhões de deslocados
Cerca de 1,8 milhão de pessoas (86% da população), tiveram de ser deslocadas das suas casas, pelo menos uma vez. Vivem agora em 1.739 locais de deslocamento, avançou o Conselho Dinamarquês para Refugiados (DRC), a 1 de outubro.
As forças israelitas ocupam atualmente 70% do território palestiniano.
Milhares de casas instáveis
É difícil saber o valor exato do número de casas destruídas ou parcialmente destruídas, mas a OCHA aponta que pelo menos cerca de 2.300 famílias vivem atualmente em edifícios inseguros que precisam de demolição.
47% de hospitais inoperacionais
Até agosto, 19 dos 36 hospitais de Gaza (53%) estavam a funcionar, mas apenas parcialmente, de acordo com o balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nenhum dos hospitais montados no terreno está totalmente operacional.
A OMS reporta também 817 ataques a instalações médicas, 36 a hospitais e 386 a ambulâncias.
Milhares com fome, subnutrição ou outros problemas de saúde
A OMS contabiliza 804 pessoas em subnutrição, apenas este ano. Mais de 2 mil pessoas foram diagnosticadas com algum tipo de cancro, por ano; cerca de 45 mil com doenças cardiovasculares; e um milhão com problemas de saúde mental.
A OCHA prevê que, a partir deste mês, a confeção e distribuição de refeições quentes venha a diminuir consideravelmente devido a falta de financiamento.
No balanço de agosto, a OMS dá conta de cerca de 50 mil mulheres grávidas, que não têm acesso a serviços essenciais.
700 mil crianças sem acesso a educação e 98% de escolas danificadas
Em abril, a UNICEF avançou que cerca de 98% das escolas em Gaza estavam danificadas; cerca de 93% dos edifícios escolares precisava de uma reabilitação massiva ou de reconstrução total; e cerca de 81% das instituições de ensino foram atingidas diretamente nos ataques. Cerca de 700 mil crianças, dos 4 aos 17 anos, deixaram de ir à escola nos últimos três anos.
60 milhões de toneladas de destroços
O terreno acumula cerca de 60 milhões de toneladas de destroços, segundo a UNICEF, que dificultam a circulação, seja para obter comida, seja para as crianças irem para a escola. Entre os escombros, estão muitas vezes explosivos escondidos, tornando qualquer deslocação num risco de vida.
247 jornalistas mortos
O conflito em Gaza já matou 247 jornalistas, feriu 174 e outros 118 estão detidos, avança o Comité Para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). "Israel está a realizar o esforço mais mortal e deliberado para matar e silenciar jornalistas que o CPJ já documentou. Jornalistas palestinianos estão a ser ameaçados e assassinados pelas forças israelitas, sendo detidos e torturados arbitrariamente em retaliação pelo seu trabalho. Israel destruiu sistematicamente a infraestrutura da comunicação social em Gaza e endureceu a censura em toda a Cisjordânia e Israel. Dentro de Gaza, jornalistas relatam assédio e intimidação por parte do Hamas", documenta o CPJ.
Mais de 70 mil mortes e 70% de ocupação israelita em Gaza: Três anos do 7 de outubro em números
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