Detenção levou às ruas de Manhattam centenas de nova-iorquinos, que exigiram a abolição do ICE.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu este sábado "elogios" para o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) pela detenção de um dominicano, alvejado por agentes enquanto se encontrava no seu veículo com o filho de cinco anos.
Donald Trump, presidente dos EUAAP
"Ontem, os nossos heróis do ICE capturaram um homem com um historial criminal com uma milha de comprimento, que era procurado por possível homicídio e homicídio cometido por gangue; por outras palavras: o gangue matou alguém. Uma pessoa encantadora", afirmou num comício em Syracuse, Nova Iorque.
A detenção e os moldes em que ocorreu esta quinta-feira levou às ruas de Manhattam centenas de nova-iorquinos, que exigiram esta sexta-feira a abolição do ICE e que a Procuradoria-Geral de Nova Iorque realize uma investigação independente sobre o mais recente tiroteio perpetrado por um dos seus agentes.
Os manifestantes percorreram várias ruas da baixa de Manhattan numa marcha pacífica, sob estreita vigilância policial e de representantes da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), empunhando cartazes com mensagens de rejeição ao ICE e exigindo que o agente que disparou contra Oscar Bengal seja acusado.
Os cartazes exibiam uma fotografia do agente, identificado pelos manifestantes como Brendan Cuni, com um colete de construção e a mensagem: "Acusem Brendan Cuni de tentativa de homicídio de Oscar Bengal. O seu filho de 5 anos estava no banco de trás".
A marcha realizou-se um dia depois de Bengal, de 28 anos, ter sido ferido por um tiro enquanto conduzia o veículo na companhia do filho, no bairro de Marble Hill, bairro de Bronx, o que aumentou a indignação dos nova-iorquinos e a atenção a nível nacional, depois de operações do ICE terem causado mortos e feridos em todo o país.
Bengal, segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), sofreu apenas ferimentos superficiais causados por uma bala ou fragmentos desta no pescoço, tendo sido posteriormente transferido para um hospital nas proximidades e, mais tarde, para um centro de imigração nos arredores de Nova Iorque.
Uma ordem emitida por um juiz, na sequência de um recurso interposto pelos advogados de Bengal, determinou que permanecesse em Nova Iorque, pelo que se encontra agora detido no centro de detenção federal Metropolitan Detention Center (MDC), no condado de Brooklyn.
Os agentes do ICE usavam coletes de construção quando intervieram contra Bengal, que, segundo o DHS, está ligado ao gangue Los Trinitarios. O organismo afirmou que o imigrante "utilizou o seu carro como arma" e tentou atropelar os agentes, pelo que um deles disparou.
Trump classificou Bengal "uma pessoa muito perigosa", pelo que "foi capturado". "Mas, em vez de receber elogios, o ICE está a ser desprezado pelos políticos de Nova Iorque que o deixaram em liberdade", acrescentou o Presidente.
Bengal é "procurado por homicídio" e os democratas pretendem libertá-lo, acusou Trump, que proferia um discurso em apoio ao candidato republicano ao cargo de governador do estado de Nova Iorque, Bruce Blakeman.
Se Blakeman for eleito e os republicanos vencerem no Congresso - prometeu Trump -, impedirão que "os estrangeiros ilegais criminosos sejam libertados" e "vetarão as cidades e os estados-santuário".
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