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Lula da Silva e Flávio Bolsonaro encontram-se em debate. Quais são as suas principais bandeiras?

Os dois candidatos à segunda volta das eleições presidenciais de 25 de outubro vão debater TV Bandeirantes depois de faltarem aos debates para a primeira volta.

Lula da Silva e Flávio Bolsonaro vão encontrar-se para debater pela primeira vez desde o início da campanha para as presidenciais. Ambos os candidatos boicotaram todos os debates realizados até ao momento, mas confirmaram a sua presença no evento organizado pela TV Bandeirantes, que em Portugal pode ser acompanhado no canal de Youtube do Band Jornalismo a partir da meia noite.

Lula e Flávio Bolsonaro debatem pela primeira vez desde o início da campanha
Lula e Flávio Bolsonaro debatem pela primeira vez desde o início da campanha AP

Os temas que muito provavelmente vão ser abordados fizeram parte de entrevistas dadas recentemente. Segundo o jornal O Globo, Lula da Silva vai explorar as alegações de que Flávio Bolsonaro está a planear cortes em benefícios sociais para diminuir a despesa pública. Enquanto o filho do ex-presidente do Brasil deverá focar-se em temas relacionados com a segurança pública, que segundo uma sondagem do Datafolha é a principal preocupação do povo brasileiro.

Segurança

Flávio Bolsonaro pretende tornar a segurança pública no tema central do debate. O candidato afirma que o Governo Federal não soube agir para melhorar a vida dos cidadãos e promete medidas duras, como a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas.

Estre as suas principais soluções está a ideia de permitir que a população possua armas de fogo: “Hoje, o Estatuto do Desarmamento proíbe o cidadão de se defender e autoriza os marginais a comprarem armas de guerra, porque não tem fiscalização nenhum. O problema está nas armas na mão das pessoas erradas”, referiu numa entrevista à Globo.

Esta medida não é nova e chegou até a ser adotada entre 2019 e 2022, altura em que Jair Bolsonaro liderava o Brasil. Na época as regras para a compra de armamento por colecionadores de armas, atiradores e caçadores foram flexibilizadas e o número de armas registadas por aumento aumentou de 59 mil, em 2018, para 431 mil em 2022. No entanto estão a decorrer investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da Bahia e de São Paulo sobre compradores legais que estariam a servir como fornecedores de armas ao crime organizado.

Outras promessas de Bolsonaro passam pela redução da maioridade penal para 16 anos, 14 em caso de crimes hediondos, e o recurso às Forças Armadas para “declarar guerra ao narcotráfico”.

Lula da Silva também já foi questionado sobre a segurança pública e defendeu que os grupos criminosos são “terroristas para a comunidade brasileira”, mas rejeitou a classificação adotada pelos Estados Unidos. Lula referiu também apoiar a medida para alterar a maioridade penal para que pessoas de 16 anos possam ser punidas em caso de crimes hediondos.

O governo de Lula apresentou também uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que ainda não foi aprovada, que tem como objetivo definir o papel do Governo Federal na segurança pública aumentando a participação da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal para uma maior coordenação entre os estados.

“Eu quero participar da segurança pública com muita força”, garantiu referindo que a aprovação da PEC permitirá a criação de um ministério para gerir a área e “financiar 138 presídios em todo o território nacional”.

Flávio também já sugeriu a criação a criação de mais de 500 mil vagas prisionais, incluindo estabelecimentos de segurança máxima inspirados nos de El Salvador.

Apoios sociais

Outro tema que será central para o debate são os apoios sociais à população. Desde 2003, quando Lula assumiu a presidência pela primeira vez, que o líder do PT deu aos apoios destinados aos mais pobres um papel central na sua governação – exemplo disso é a aplicação do Bolsa Família, principal programa de distribuição de rendimentos do país.

Nesta campanha para a presidência, o tema ganhou uma nova importância com Lula a acusar Flávio Bolsonaro de querer pôr os apoios em causa para reduzir a despesa pública. “Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo paga. Alguém está a anunciar, como meu adversário, que não tem aumento de salário mínimo acima da inflação. No meu caso tem”, garantiu.

Durante a campanha, a administração de Lula tem anunciado várias medidas destinadas à população mais podre, o que tem gerado críticas da oposição uma vez acusam o presidente de populismo. O Bolsa Família, aumentou cerca de 15%, foram anunciados programas para pessoas endividadas e também o Pé-de-Meia universitário, que garantiu um prémio em dinheiro aos estudos que concluírem o ensino superior.

Flávio Bolsonaro promete poupar 250 mil milhões de reais – cerca de 44 mil milhões de euros – e segundo a Folha de São Paulo a forma de atingir esse objetivo é limitar os aumentos do salário mínimo, acabar com os limites mínimos constitucionais de investimento em saúde e educação, o que o candidato nega.

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