Kristen Holmes perguntou se Trump havia feito contactos recentes com a Coreia do Norte. O presidente acusou-a de ser "desrespeitosa" por interromper a homenagem a um jovem que salvou uma criança numa praia da Califórnia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mandou calar na segunda-feira, por diversas vezes, a repórter da CNN Internacional, Kristen Holmes, que o questionava sobre contactos recentes com a Coreia do Norte.
Trump homenageava o jovem Ryder Williams quando mandou calar uma jornalista da CNNAP Photo/Manuel Balce Ceneta
O episódio ocorreu durante um evento que decorria na Casa Branca e que pretendia homenagear Ryder Williams, de 16 anos, que salvou um menino de 10 anos que se estava a afogar no mar em Santa Cruz, na Califórnia, a 25 de julho. Nathaniel Rai perdeu a consciência depois de ter sido atingido por ondas fortes. Foi, então, que Williams entrou na água e manteve-o em segurança até à chegada de um nadador salvador. O resgate foi registado em vídeo e ganhou repercussão nas redes sociais.
We’re going to bring this heroic young man, and his family, into the White House with, perhaps, the boy he saved, to give him a High Civilian Honor. Very brave, he deserves it! President DONALD J. TRUMP https://t.co/dGL15o1tIv
Na Casa Branca, Donald Trump chamou Ryder Williams de "verdadeiro herói".
Foi nessa homenagem que a jornalista aproveitou para perguntar se o líder norte-coreano, Kim Jong-un, havia pedido a Trump que reduzisse os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. O presidente norte-americano interrompeu de imediato a jornalista e mandou-a calar. "Cala-te! Silêncio! Silêncio!", disse Trump.
Ainda assim, Kristen Holmes voltou a insistir na pergunta e disse que queria saber se o presidente havia conversado com o homólogo norte-coreano sobre a redução das atividades militares. Trump voltou a pedir que se calasse e acusou-a de ser "desrespeitosa" para com o jovem e uma "falsa repórter". Acrescentou ainda que a jornalista em questão estava a espalhar "fake news" (notícias falsas).
O episódio ocorreu no mesmo dia em que se soube que os Estados Unidos reduziram os exercícios militares na península coreana. No entanto, os dois países iniciaram na segunda-feira o exercício Ulchi Freedom Shield, realizado anualmente para reforçar a capacidade de defesa da Coreia do Sul. A atividade decorre até 27 de agosto e inclui treinos relacionados com ameaças, como ataques com drones, interferência de GPS e operações cibernéticas.
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