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UE investiga X por imagens sexualizadas geradas pelo 'chatbot' Grok

Lusa 17 de fevereiro de 2026 às 15:13

O Grok provocou uma reação global no mês passado após começar a atender pedidos de utilizadores do X para despir pessoas.

A rede social X, de Elon Musk, enfrenta uma investigação da União Europeia sobre privacidade após o seu 'chatbot' Grok AI ter começado a divulgar imagens 'deepfake' não consentidas, anunciou esta terça-feira o regulador de privacidade de dados da Irlanda.
Grok Silas Stein/picture-alliance/dpa/AP Images
A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda disse ter notificado a X na segunda-feira de que estava a abrir o inquérito ao abrigo dos regulamentos de privacidade de dados da União Europeia (UE), aumentando o escrutínio que o X enfrenta na Europa e em outras partes do mundo devido ao comportamento do Grok. O Grok provocou uma reação global no mês passado após começar a atender pedidos de utilizadores do X para despir pessoas com as suas capacidades de geração e edição de imagens de Inteligência Artificial (IA), incluindo colocar mulheres em biquínis transparentes ou roupas reveladoras. Investigadores afirmaram que algumas imagens pareciam incluir crianças. A empresa introduziu posteriormente algumas restrições ao Grok, embora as autoridades europeias não tenham ficado satisfeitas. A entidade reguladora irlandesa afirmou que a sua investigação se centra na aparente criação e publicação no X de imagens íntimas ou sexualizadas "potencialmente prejudiciais" não consentidas, contendo ou envolvendo dados pessoais de europeus, incluindo crianças. O X não respondeu a um pedido de comentário. O Grok foi criado pela empresa de inteligência artificial xAI, de Elon Musk, e está disponível através do X, onde as suas respostas às solicitações dos utilizadores são visíveis publicamente. O órgão regulador afirmou que a investigação procurará determinar se o X cumpriu as regras de privacidade de dados da UE, conhecido como GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados, na sigla inglesa).
De acordo com as regras, o regulador irlandês assume a liderança na aplicação das regras de privacidade do bloco, uma vez que a sede europeia do X se encontra em Dublin. As violações podem resultar em multas pesadas. O regulador "tem estado em contacto" com a X desde que começaram a circular notícias na comunicação social, nas semanas anteriores, sobre "a alegada capacidade dos utilizadores da X de solicitar à conta @Grok na X que gerasse imagens sexualizadas de pessoas reais, incluindo crianças", afirmou o vice-comissário Graham Doyle num comunicado à imprensa. O governo espanhol ordenou que os promotores investiguem a X, a Meta e a TikTok por supostos crimes relacionados com a criação e proliferação de material de abuso sexual infantil gerado por IA nas suas plataformas. "Essas plataformas estão a atacar a saúde mental, a dignidade e os direitos de nossos filhos e filhas", escreveu o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez no X. A Espanha anunciou no início deste mês que estava a preparar uma proibição do acesso a plataformas de redes sociais a menores de 16 anos. Representantes do X, Meta e TikTok não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre a investigação espanhola. No início deste mês, os procuradores franceses entraram nos escritórios do X em Paris e intimaram Musk para ser interrogado. Entretanto, os reguladores de privacidade de dados e media no Reino Unido, que deixou a UE, abriram as suas próprias investigações sobre aquela rede social. O X já enfrenta uma investigação separada da UE em Bruxelas sobre se tem cumprido o regulamento digital do bloco para proteger os utilizadores das redes sociais, que exige que as plataformas coíbam a disseminação de conteúdo ilegal, como material de abuso sexual infantil.
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