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Três professores acusados de "propaganda terrorista"

16 de março de 2016 às 16:25

Tribunal turco acusou três professores universitários de "propaganda terrorista" depois de terem assinado um manifesto que denunciava a intervenção das forças armadas no sudeste da Turquia

Um tribunal turco decretou prisão preventiva para três professores universitários sob a acusação de "propaganda terrorista", após terem assinado um manifesto a favor da paz nas regiões curdas, referiu hoje o diário Hurriyet.

Os três professores, Esra Mungan, Muzaffer Kaya e Kivanc Ersoy incluem-se entre os mais 1.100 académicos turcos de 80 universidades e ainda 350 estrangeiros que assinaram em Janeiro um manifesto que denunciava a intervenção das forças armadas turcas no sudeste da Turquia como um "massacre deliberado".

Em simultâneo, o académico britânico Chris Stephenson, professor de informática na universidade Bilgi de Istambul, detido após manifestar apoio aos três detidos, foi hoje libertado.

O decreto da prisão preventiva para os académicos turcos surge um dia após o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ter solicitado a alteração da legislação turca para ampliar a definição de terrorismo.

"Alguém pode ser deputado, académico, escritor, jornalista, dirigente de uma organização não governamental (ONG), mas isso não altera a realidade caso essa pessoa seja essencialmente um terrorista", considerou na segunda-feira Erdogan, após o atentado suicida de domingo em Ancara que provocou 37 mortos e mais de 100 feridos, e atribuído pelo Governo neo-islamita à guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

Num comunicado hoje divulgado, a organização internacional Human Rights Watch (HRW) qualificou a detenção dos três académicos como parte "de uma campanha feroz de Erdogan para proibir, castigar e silenciar todas as vozes críticas na Turquia", e pediu a libertação imediata dos professores.

A HRW recorda que pelo menos 30 académicos signatários do manifesto já foram despedidos e outros 27 suspensos, enquanto a procuradoria de Istambul desencadeou uma investigação criminal contra todas as pessoas que firmaram o manifesto. A ONG de direitos humanos pede ainda aos tribunais turcos para respeitarem a liberdade de expressão

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