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ONU alerta: ébola mata uma pessoa a cada meia hora

Renata Lima Lobo 16 de agosto de 2026 às 15:01

O surto de ébola da República Democrática do Congo não parece dar tréguas. Um responsável da ONU diz que o vírus está a ganhar terreno e que "o mundo precisa de acordar".

O surto de ébola foi declarado no passado dia 15 de maio na República Democrática do Congo (RD Congo) e, desde então, já matou 2.184 pessoas, avança a Organização das Nações Unidas (ONU) que, , partilha o alerta de Tom Fletcher, responsável da ONU para os Assuntos Humanitários. "O ébola está a ganhar terreno na República Democrática do Congo”, avisa Fletcher, sublinhando que “não podemos permitir que o vírus avance mais depressa do que a nossa resposta.”

Centro de tratamento de Ituri Moses Sawasawa/AP

É o surto de crescimento mais rápido alguma vez registado, diz a ONU, e a caminho de se tornar um dos mais mortíferos da história: está a matar uma pessoa a cada 30 minutos. Numa tentativa de fazer face à elevada taxa de mortalidade, o responsável anunciou na sexta-feira o reforço do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) das Nações Unidas em mais 30,5 milhões de dólares, que se juntam aos 24 milhões já disponibilizados à RD Congo e países vizinhos para combater o surto.

O número de elementos das equipas no epicentro do surto foi também aumentado em 20 funcionários, mas Fletcher defende que são precisos mais. Até ao momento, seis das 26 províncias da RD Congo registaram casos de ébola, e o Uganda notificou 20 casos às autoridades. “Isto é um alerta para todos nós”, declarou o responsável da ONU que apela à solidariedade para evitar que o vírus se adiante à capacidade de resposta.

Este sábado, o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alargou a distribuição de refeições quentes a mais centros de tratamento, mas as condições que se vivem no país dificultam os esforços humanitários. Os habitantes das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul enfrentam o surto de ébola ao mesmo tempo que decorre um conflito armado entre as forças congolesas e a milícia M23, apoiada pelo Ruanda. Além disso, o principal foco do surto é a província de Ituri, localizada no leste do país e que concentra metade dos 2,6 milhões de pessoas da RD Congo que sofrem de desnutrição grave.

Segundo a ONU, e mesmo com o reforço de financiamento, a assistência destinada à insegurança alimentar está financiada em apenas 25%, um problema que se junta à necessidade de reforçar o número de equipas responsáveis por enterros seguros e dignos, de triplicar a capacidade de tratamento, além de melhorar o rastreio de contactos e mobilizar mais gestores experientes. Fletcher destacou também a necessidade de mais apoio em matéria de água, higiene e cuidados de saúde às pessoas afetadas tanto pelo surto como pelo conflito prolongado. “O mundo precisa de acordar e de agir”, desafiou o responsável da ONU.

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