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Migrações: Espanha critica postura assimétrica da UE e fala em reação egoísta

Lusa 01 de agosto de 2026 às 11:07

Apesar de ressalvar que a maioria demonstrou o seu apoio e solidariedade, o Presidente do Governo de Espanha sublinhou que outros optaram por atacar o seu país e exigir a sua exclusão temporária do Espaço Schengen.

Espanha criticou este sábado o que disse ser a postura assimétrica da União Europeia à entrada de migrantes em Ceuta e, em particular, a reação egoísta de alguns estados que exigem a sua exclusão do espaço Schengen.

The Prime Minister, Pedro Sánchez, addresses the media following his meeting with King Felipe VI at the Almudaina Royal Palace Javier Fernández

Numa carta dirigida à presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, ao presidente do Conselho Europeu, António Costa e ao primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, o Presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, expressou a sua profunda preocupação com a recente reação de alguns governos europeus à entrada ilegal de migrantes em Ceuta.

“Em menos de 48 horas, o meu Governo conseguiu restabelecer totalmente o controlo da fronteira, prestar ampla assistência humanitária, repatriar praticamente todos os migrantes que a atravessaram irregularmente e impedir qualquer deslocação não autorizada em direção à Europa continental”, assinalou na missiva.

Sánchez disse que tal foi conseguido em coordenação com as autoridades marroquinas e com “muito pouco apoio de outros Estados membros”, criticando a “reação bastante assimétrica” dos Governos europeus.

Apesar de ressalvar que a maioria demonstrou o seu apoio e solidariedade, o Presidente do Governo de Espanha sublinhou que outros optaram por atacar o seu país e exigir a sua exclusão temporária do Espaço Schengen.

Tal atitude, conforme defendeu, é motivada por “preconceitos, noticias falsas, ignorâncias ou interesses políticos”, sendo ainda contrária ao direito europeu, humanitário e aos princípios de solidariedade.

Espanha lembrou que não faz parte do Espaço Schengen e que tem uma das fronteiras externas menos permeáveis da União Europeia.

“No atual contexto internacional, a União Europeia não se pode dar ao luxo de adotar este tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal”, vincou.

Assim, pediu à presidência irlandesa do Conselho da União Europeia que convoque, com urgência, uma videoconferência extraordinária com os ministros da administração interna.

A Polícia Marítima e a Marinha portuguesas estão a reforçar o controlo da fronteira marítima, através de patrulhas diárias, por mar e terra, ao longo da orla costeira do Algarve, após a entrada de migrantes, vindos de Marrocos, em Ceuta.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, rejeitou, na sexta-feira, a suspensão das regras do espaço Schengen na sequência da crise migratória em Ceuta, defendendo antes um reforço da vigilância nas fronteiras marítima e terrestre do sul de Portugal.

À margem da cerimónia dos 120 anos da Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde, distrito do Porto, o chefe do Governo português considerou que a prioridade passa por reforçar os mecanismos de controlo das regras previstas no Pacto Europeu para as Migrações e Asilo, afastando medidas mais drásticas como as defendidas por alguns governos europeus.

As declarações do governante surgem numa altura em que Itália anunciou a reposição temporária de controlos sobre passageiros provenientes de Espanha, em portos e aeroportos, e França decidiu reforçar o dispositivo policial na fronteira franco-espanhola.

A cidade autónoma espanhola de Ceuta, situada no norte de África, registou desde quinta-feira uma entrada em massa de migrantes vindos de Marrocos, que as autoridades locais estimaram em cerca de 60.000 pessoas, acima das cerca de 50.000 entradas contabilizadas pelo Governo de Madrid.

Pelo menos 48.300 migrantes regressaram, entretanto, voluntariamente a Marrocos até às 18:00 locais de sexta-feira (17:00 em Lisboa), segundo o Ministério da Administração Interna espanhol.

Pelo menos 57 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a nado, segundo o mais recente balanço das autoridades.

Ceuta, um pequeno território de 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos, banhado pelo estreito de Gibraltar, é uma das duas fronteiras terrestres entre África e a Europa, juntamente com o outro enclave espanhol de Melilla.

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