Irão impõe exigências para reabertura do Estreito de Ormuz e acordo parece inatingível
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão referiu que os Estados Unidos deveriam ficar obrigados a não voltar a ameaçar o Irão, encerrar permanentemente a guerra e suspender o bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos.
O Irão apresentou novas e rigorosas exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz numa altura em que o acordo para a reabertura da via estratégica continua inatingível.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão avançou que o Estreito de Ormuz não será aberto até que os Estados Unidos “corrijam o seu comportamento” e a emissora estatal iraniana divulgou uma declaração do secretário do conselho, Mohammad Bagher Zolghadr, onde são referidas algumas das exigências.
Segundo o comunicado, os Estados Unidos deveriam ficar obrigados a não voltar a ameaçar o país, assim como encerrar permanentemente a guerra com o Irão e todos os seus aliados no Médio Oriente. Além disso o bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos deve ser suspenso.
Os Estados Unidos devem ainda “compensar integralmente” o Irão pelos danos da guerra, suspender as sanções e libertar “incondicionalmente” os ativos congelados.
Os Estados Unidos ainda não comentaram estas informações, mas é sabido que os norte-americanos procuram conseguir um acordo para a abertura do estreito antes de levantarem o bloqueio naval. De acordo com as tréguas assinadas em junho, um cronograma para o fim das sanções e um plano de compensações iriam fazer parte do acordo final.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, afirmou sábado passado que um acordo sobre Ormuz estava próximo, “especificamente a definição de uma rota de trânsito”. No entanto, o líder reforçou que a abertura depende de outras condições e do fim das violações do acordo provisório por parte dos Estados Unidos.
Depois de o Irão ter imposto um bloqueio ao Estreito de Ormuz no início da guerra com os Estados Unidos – em fevereiro deste ano – agora quer cobrar uma taxa aos navios que por ele passarem. Os Estados Unidos opõem-se a estes pagamentos. No entanto, o acordo de junho referia que Teerão poderá elaborar planos de passagem com a “futura administração” de Ormuz em conjunto com Omã, que se encontra a mediar as negociações.
O acordo assinado pelas duas partes determinava um prazo de 60 dias para que o cessar-fogo definitivo fosse alcançado, um prazo que termina em menos de uma semana, sem estarmos perto de um acordo final.
Ainda assim, Masoud Pazeshkian, o presidente do Irão, disse acreditar que este é o melhor momento para conseguirem um acordo. “Há coesão, força e unidade no país e, pelo que sei, o Irão é considerado vitorioso e poderoso nesta guerra”, referiu.