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Extrema-direita vence eleições no estado de Saxónia-Anhalt

Diogo Barreto 06 de setembro de 2026 às 17:57

AfD foi o partido mais votado, com 43,8%, ficando a três assentos da maioria absoluta no parlamento regional.

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu este domingo as eleições no estado federado de Saxónia-Anhalt (leste), com 43,8% dos votos, ficando a três assentos da maioria absoluta no parlamento regional.

Ulrich Sigmund, AfD Alemanha AP Photo/Markus Schreiber

Um eufórico Ulrich Siegmund, candidato a primeiro-ministro da AfD, afirmou na festa eleitoral do partido que a noite era "histórica". "Fizemos história. É um sinal para toda a Alemanha. É um impulso que atravessa todo o país. É claro que temos um mandato para governar. Estenderemos a mão a quem quiser resolver connosco os problemas que surgiram neste país", afirmou.

O copresidente do partido, Tino Chrupalla, garantiu que a AfD vai "assumir a responsabilidade de governar na Saxónia-Anhalt e também a nível federal", o mais tardar após as eleições gerais de 2029, acrescentou.

Em 2024, a AfD venceu as eleições no estado federado oriental da Turíngia, embora não tenha chegado a governar devido a um "cordão sanitário" formado pelos outros partidos.

A alegria da estrutura dirigente da AfD estende raízes até às eleições federais de 2025, em que a formação se tornou a segunda força a nível nacional, sendo que atualmente ocupa a primeira posição nas sondagens nacionais.

O candidato da União Democrata-Cristã (CDU, na sigla em alemão) na Saxónia-Anhalt, o primeiro-ministro Sven Schulze, manifestou-se desapontado com o resultado do partido, 17,2%, decorrente de metade dos votos obtidos em 2021, reconhecendo o "duro golpe".

"O vencedor das eleições, a AfD, é agora a força política mais forte no parlamento regional da Saxónia-Anhalt", admitiu, acrescentando que as lideranças dos partidos no estado federado, "mas também para além dele, devem enfrentar" o resultado.

O líder do grupo parlamentar da CDU na câmara baixa do parlamento federal em Berlim, Thorsten Frei, considerou a vitória da AfD como "um ponto de viragem para o país".

"Nunca antes vivemos uma situação em que um partido classificado como 'extremista de direita' confirmado pelo Gabinete Regional para a Proteção da Constituição obtivesse uma maioria", sublinhou.

O co-líder do Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão), que obteve 9,3% nestas eleições regionais, Lars Klingbeil, salientou que o resultado "é um motivo para refletir também sobre a política" feita em Berlim e "sobre o rumo reformista do Governo federal", de coligação entre conservadores e social-democratas.

O resultado sugere que pode haver uma maioria para além da AfD, mas a vitória esmagadora do partido de extrema direita torna pouco viável uma aliança estável entre vários partidos, na qual teriam de participar um partido conservador como a CDU do chanceler Friedrich Merz e uma formação de origem marxista como "A Esquerda", a quinta força política, com 8,6%.

A secretária-geral da CDU, Franziska Hoppermann, reiterou que não é possível manter "conversas sérias com um partido que tem um grave problema de antissemitismo, que defende um modelo de sociedade completamente diferente do [modelo da CDU], que acusa de fazer política fascista".

A líder do grupo parlamentar de "A Esquerda" na câmara baixa, Heidi Reichinnek, salientou que a CDU tem agora de decidir "de que lado da história está".

Os Verdes obtiveram 8,9% e os liberais do FDP, que faziam parte do governo de coligação de Schulze juntamente com o SPD, não entraram no parlamento, enquanto a aliança de esquerda de Sahra Wagenknecht (BSW, na sigla em alemão) conseguiu finalmente entrar por uma margem mínima, com 5,3%.

A reação

O jornal Süddeutsche Zeitung abriu a cobertura com um título direto: “AfD gewinnt in Sachsen-Anhalt” (“AfD vence na Saxónia-Anhalt”). O jornal salienta que a formação de extrema-direita foi pela primeira vez a força mais votada no estado e alcançou, segundo a primeira projeção, 44% dos votos, o melhor resultado da AfD numa eleição regional alemã.

Numa segunda análise, o Süddeutsche Zeitung escreve “AfD stark bei Landtagswahl in Sachsen-Anhalt: Sieben Erkenntnisse aus der Prognose” (“AfD forte nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt: sete conclusões da projeção”), destacando que a formação ficou perto de uma maioria absoluta e que “Kanzler Merz steht vor einem großen Problem” (“O chanceler Merz está perante um grande problema”).

A Zeit coloca o resultado no contexto da política federal com o título “Ob AfD-Beben oder Zerreißprobe – für Merz wird es brenzlig” (“Seja terramoto da AfD ou prova de rutura — para Merz a situação fica perigosa”). A análise destaca a vitória da AfD, a derrota da União Democrata-cristã (CDU) e o impacto que o resultado poderá ter sobre Friedrich Merz.

O mesmo título é reproduzido pela Süddeutsche Zeitung numa notícia da agência alemã dpa. O texto considera que uma maioria absoluta da AfD provocaria um “beispielloses Polit-Beben”, ou seja, um “terramoto político sem precedentes”, e analisa as dificuldades de Merz perante os resultados.

A ZDF, através do ZDFheute, resume o resultado com o título “Wahl in Sachsen-Anhalt: Siegmund und Schulze haben gewählt” na sua cobertura em direto, mas a atualização eleitoral destaca que a AfD está claramente à frente da CDU e que a distribuição final dos lugares será decisiva para determinar se a formação consegue uma maioria absoluta.

O ZDFheute chama ainda a atenção para as consequências económicas de uma eventual governação da AfD. Economistas e responsáveis empresariais citados pela televisão pública alertam para possíveis dificuldades na atração de trabalhadores estrangeiros e de investimento.

O Bild destaca a dimensão da vitória da AfD com o título “Wahl in Sachsen-Anhalt: AfD halbiert die CDU” — “Eleições na Saxónia-Anhalt: AfD reduz a CDU a metade”. O jornal fala num “choque” em Magdeburgo e sublinha que a AfD se tornou, com larga vantagem, a principal força política, enquanto a CDU sofreu uma forte derrota.

Outra peça do mesmo jornal questiona a capacidade de formação de Governo, com o título “Sachsen-Anhalt: Von diesen Parteien kommen die neuen AfD-Wähler” — “Saxónia-Anhalt: de que partidos vêm os novos eleitores da AfD?” — analisando a transferência de votos para a formação de Ulrich Siegmund.

O resultado coloca agora no centro da cobertura a formação do próximo Governo. A AfD é claramente a força mais votada, mas a questão decisiva passa por saber se consegue alcançar uma maioria absoluta. Caso contrário, os restantes partidos terão de encontrar uma solução para formar Governo sem uma coligação com a extrema-direita.

A votação representa também uma forte derrota para a CDU, que passa de 37,1% nas eleições de 2021 para cerca de 18% nas primeiras projeções. A configuração final do parlamento será determinante para perceber se Sven Schulze poderá continuar a liderar o Governo regional ou se será necessário encontrar outra solução.

Com Lusa

(Notícia atualizada às 8h08 de 7 de setembro)

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