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Epstein terá usado Naomi Campbell para atrair menores com a promessa de se tornarem modelos

Luana Augusto 17 de fevereiro de 2026 às 16:02

Vítimas de Epstein garantem ter conhecido a modelo pessoalmente. Apesar do advogado garantir que Campbell "desconhecia a conduta criminosa de Epstein", documentos mostram que ambos mantiveram uma ligação mesmo depois do criminoso sexual ter sido condenado em 2008 por postituição de uma menor.

Já lá vão várias semanas desde que o Departamento de Justiça dos EUA divulgou mais de três milhões de documentos sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein e ao que parece os arquivos ainda continuam a dar que falar. Desta vez, a polémica envolve a modelo britânica Naomi Campbell que, segundo o jornal , é mencionada em 300 ficheiros. Trocas de e-mails mostram que Campbell, de 55 anos, chegou a pedir para usar o avião particular de Epstein, para se encontrar com ele em Nova Iorque e que ambos frequentaram diversas festa em 2001, para celebrar o aniversário da modelo, em 2004, e duas vezes em 2010.
Naomi Campbell surge associada a Epstein em alegações de aliciamento de menores Foto de Richard Shotwell/Invision/AP
Mas não só o nome de Campbell consta nestes ficheiros, também várias vítimas de Epstein garantem tê-la conhecido pessoalmente. Segundo o jornal The New York Times, que faz referência a entrevistas concedidas ao FBI, o criminoso sexual apresentou-a com o pretexto de que as ajudaria a entrar no mundo da moda. Uma das vítimas que a conheceu foi, por exemplo a falecida Virginia Giuffre. Em 2020, uma vítima disse que Epstein lhe prometeu um emprego na loja de lingeri Victoria's Secret e que o criminoso sexual disse conhecer Campbell, bem como Leslie Wexner, que na altura era diretor executivo da L Brands - empresa controladora da Victoria's Secret. Confrontado com estas alegações, o advogado de Campbell, Martin Singer, afirmou que a modelo nunca teve contrato com a marca de lingeri e justificou que se Epstein usou o nome dela foi para "impressionar alguém ou ganhar a confiança de alguém". "Ele fê-lo sem o conhecimento ou autorização dela", disse ao sublinhar que a sua cliente "desconhecia a conduta criminosa de Epstein" até 2019. "Se ela se tivesse deparado com mulheres jovens e abusadas teria agido imediatamente para as ajudar", declarou num e-mail enviado ao New York Times. Uma outra vítima, em depoimentos prestados ao FBI em 2019, afirmou que aos aos 18 anos, ao ser apresentada a Epstein, viu Campbell num jantar na mansão dele, em Nova Iorque. E a mesma alegação foi partilhada por uma segunda vítima que disse ter visto também a modelo na ilha privada do criminoso sexual. Virginia Giuffre, que se suicidou no ano passado, também já havia relatado, em 2016, que Epstein a apresentou a Campbell.
Além disso, sabe-se agora que o nome da modelo constava ainda num documento intitulado de "Lista de pessoas que precisam do endereço de JE" - nada mais nada menos do que uma lista de pessoas autorizadas a enviar cartas e livros para Epstein durante o tempo em que se encontrava preso na Flórida, em 2008. Na altura, Epstein havia sido condenado por prostituição de uma menor. Sobre isso, o advogado de Campbell disse não ter "ideia de quem criou essa lista ou porque o nome [da modelo] aparecia nesse documento". "Ela nunca pediu o endereço de Epstein para se comunicar com ele na prisão." Mas mesmo depois do criminoso sexual ter sido libertado, em 2009, Epstein continuou a manter contacto com Campbell ao dar-lhe acesso à sua rede de contactos. Numa troca de e-mails de 2010, Epstein instruiu a sua assistente a convidar Linda Wachner, ex-diretora executiva da empresa de vestuário Warnaco Group, para a sua casa, para conhecer Campbell e um associado. No dia a seguir a assistente informou: "Naomi está confirmada". Num e-mail, o advogado da modelo disse que Campbell se encontrou com Wachner porque "estava a tentar lançar uma linha de lingeri e moda de praia" e que Epstein "a levou a acreditar que poderia ajudá-la com isso". Também naquele ano, Epstein foi convidado para a festa de 40 anos de Campbell, que aconteceu em Cannes, França, e num e-mail foi mencionado que se tratava de "um evento privado para os seus amigos e familiares mais próximos". Segundo o advogado, Epstein não compareceu. O criminoso chegou ainda a ser convidado para outras festas, nomeadamente para um evento em Paris, para celebrar os 25 anos de carreira de Campbell. Uma resposta ao e-mail dizia: "Jeffrey irá acompanhado de duas pessoas". O advogado confirmou que Epstein compareceu juntamente com Ghislaine Maxwell - a sua então companheira. A troca de mensagens entre ambos mostrava, assim, um certo à-vontade entre Campbell e Epstein. Em 2016, um associado de Epstein perguntava se a modelo podia usar "o avião" para "ir de Nova Iorque a Miami".
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