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Comerciantes de Nova Iorque processam Mamdani para travar supermercados municipais

Lusa 25 de agosto de 2026 às 08:03

Os comerciantes, que possuem pequenas empresas, alegam que Mamdani está a violar a Lei dos Direitos Civis de Nova Iorque e a constituição estadual, que proíbem a discriminação, ao construir estes supermercados.

Um grupo de comerciantes avançou com uma ação judicial contra o presidente da Câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, para travar os supermercados municipais e abrir um diálogo, alertando que a iniciativa lhes causaria danos irreparáveis.

Zohran Mamdani, autarca de Nova Iorque AP

A ação foi interposta na segunda-feira no Supremo Tribunal estadual em Manhattan, em nome da Multicultural Business Coalition (MBC), uma organização com seis meses de existência que representa 50 câmaras de comércio de diversos grupos étnicos.

Os comerciantes, que possuem pequenas empresas, alegam que Mamdani está a violar a Lei dos Direitos Civis de Nova Iorque e a constituição estadual, que proíbem a discriminação, ao construir estes supermercados.

"Os supermercados municipais negam a igualdade de proteção aos membros da ação coletiva --- centenas de comerciantes, muitos deles pequenos empresários --- ao impedi-los de oferecer descontos que se afastem significativamente das práticas do comércio globalizado, violando assim as leis de direitos civis de Nova Iorque", refere o documento judicial consultado pela agência EFE.

Desde que Mamdani, da ala esquerda do Partido Democrata, anunciou a intenção de criar supermercados municipais, os comerciantes têm-se oposto à proposta, argumentando que o dinheiro dos seus impostos está a ser utilizado para competir com os seus negócios e que a abertura destas lojas obrigaria muitos a fechar portas.

Em julho, o presidente da Câmara anunciou também que os cinco supermercados, que estarão em pleno funcionamento até 2029, oferecerão um desconto de 30% nos bens alimentares básicos, em resposta ao aumento dos preços dos alimentos no país.

Na ação judicial, os comerciantes citam a lei dos direitos civis como base para processar as autoridades governamentais locais ou estaduais por danos, caso violem os direitos constitucionais de uma pessoa enquanto atuam no exercício das suas funções.

Defenderam ainda perante o tribunal que as lojas estão a ser estabelecidas sem um estudo de impacto prévio e lembram que a autorização à cadeia retalhista Walmart para abrir na cidade foi negada durante muitos anos porque prejudicaria as pequenas empresas, "a mesma razão" pela qual se opõem aos supermercados, destacou à EFE o presidente do conselho da MBC, Frank García.

O responsável acrescentou que, antes de apresentarem o processo, solicitaram uma reunião com o presidente da Câmara de Nova Iorque, mas não tiveram sucesso.

No entanto, Mamdani reuniu-se com a associação de supermercados, entre outras entidades da comunidade latina, bem como com comerciantes árabes.

Com este processo, os comerciantes procuram abrir um diálogo com o autarca para encontrar uma solução que não os prejudique.

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