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Carney avisa que libertar o Canadá economicamente dos Estados Unidos terá um "custo"

Lusa 08 de setembro de 2026 às 18:39

As tarifas canadianas sobre uma série de produtos norte-americanos entraram hoje em vigor, em retaliação aos novos direitos aduaneiros impostos no final de agosto por Washington.

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, avisou esta terça-feira que a estratégia do seu Governo para reduzir a dependência do Canadá relativamente aos Estados Unidos terá um "custo" económico para o país a curto prazo.

Primeiro-ministro canadiado, Mark Carney Patrick Doyle/The Canadian Press via AP

"Esta mudança de rumo terá um custo", mas o "custo da inação" seria muito superior, afirmou numa mensagem em vídeo publicada no YouTube, citada pela AFP, poucas horas depois da entrada em vigor da resposta aduaneira do Canadá aos novos direitos de importação norte-americanos aplicados ao país desde o final de agosto.

As tarifas canadianas sobre uma série de produtos norte-americanos entraram hoje em vigor, em retaliação aos novos direitos aduaneiros impostos no final de agosto por Washington, numa altura em que não se vislumbra qualquer sinal de apaziguamento do conflito comercial entre os dois países.

Estas tarifas, de 15%, 25% ou 50%, abrangem cerca de 20 mil milhões de dólares em produtos norte-americanos, o equivalente a 27,6 mil milhões de dólares canadianos, desde aço a produtos lácteos, passando por produtos eletrónicos ou pasta de papel. Um montante que corresponde, "ao dólar", segundo Otava, ao valor dos produtos canadianos abrangidos desde 22 de agosto por sobretaxas norte-americanas de 50%.

"Estas medidas são necessárias para proteger os nossos trabalhadores e as nossas empresas", declarou Mark Carney, rejeitando a intenção de uma "escalada" que "não seria construtiva".

O conflito comercial entre os dois países vizinhos atingiu um nível sem precedentes desde que Mark Carney interrompeu, em 21 de agosto, as negociações com a Casa Branca. O primeiro-ministro canadiano acusou os Estados Unidos de terem procurado impor um acordo "injusto" e de terem, em última análise, como objetivo transformar o Canadá numa "filial" e "destruir" a sua indústria.

Carney justificou também a sua posição com as condições impostas por Washington relativamente à língua francesa, uma questão politicamente sensível no Canadá. Segundo o primeiro-ministro, o projeto de acordo punha em causa a presença dos meios de comunicação social francófonos na Internet ou a obrigação de rotulagem bilingue dos produtos vendidos no Canadá.

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